Arsenal e Manchester City estão mais uma vez lutando pelo título da Premier League na Inglaterra e, faltando apenas algumas semanas para o final da temporada, a diferença entre eles permanece extremamente pequena.
Quer o Arsenal ou o City ganhem o campeonato, uma coisa sobre o Arsenal já parece clara: houve crescimento, mas não domínio.
O Arsenal está mais consistente do que há alguns anos. Eles são mais difíceis de vencer, mais confiantes e mais compostos durante as partes “sem pressão” da temporada.
Eles parecem tão dominantes quando a pressão diminui, mas quando chegam os momentos importantes, eles ainda não conseguem assumir o controle total. Como torcedor do Arsenal, é isso que torna esse time tão frustrante de assistir.
Pela segunda vez desde a temporada 2022/23 – quando liderou a Premier League durante grande parte da campanha antes de ser derrotado pelo Manchester City na disputa – o Arsenal tornou a corrida pelo título mais difícil do que o necessário.
No início da campanha, o técnico do Arsenal, Mikel Arteta, fez uma série de mudanças significativas e, para alguns, controversas. Ele dispensou Myles Lewis-Skelly, que havia se destacado na temporada passada, e trouxe Riccardo Calafiori de volta ao time titular após lesão.
O que quer que as pessoas pensassem dessas decisões, elas pareciam imediatamente tornar o Arsenal impossível de quebrar. Essa força defensiva ficou clara desde a primeira jornada, quando o Arsenal venceu o Manchester United por 1-0 em Old Trafford, graças a um golo madrugador de Calafiori. Nas semanas seguintes, sofreram menos de um gol por jogo.
Mas no terceiro jogo da temporada, perdeu para o Liverpool por 1 a 0 em Anfield, com uma cobrança de falta tardia de Dominik Szoboszlai decidindo a partida.
A pergunta óbvia depois daquele jogo era: por que o Arsenal não tentou matar?
O Liverpool não estava no seu auge, mas o Arsenal parecia mais preocupado em defender o empate do que em vencer o jogo. Pareceu uma oportunidade perdida e levantou questões iniciais sobre a gestão do jogo em momentos decisivos.
Um sentimento semelhante seguiu-se ao empate em casa com o Manchester City, um mês depois, em Setembro. Esse jogo destacou mais uma vez a competitividade e o amplo crescimento do Arsenal, mas também a sua relutância em assumir totalmente o controlo quando o jogo começou. O empate tardio de Gabriel Martinelli valeu-lhes um ponto, mas subsistiam dúvidas sobre se deveriam ter sido mais agressivos.
Naquela altura, para mim pessoalmente e para a maioria dos adeptos do Arsenal, os sinais ainda eram extremamente positivos.
O empate de Martinelli veio de assistência de Eberechi Eze, cuja chegada acrescentou criatividade e imprevisibilidade ao ataque. Todos nós gostamos de assistir a equipe e estávamos esperançosos com seu sucesso.
Quando meu co-apresentador Stephen Howson me provocou no podcast Rio Ferdinand Presents dizendo: “Aqueles pontos perdidos contra o Liverpool e o Man City voltarão para assombrá-lo no final da temporada”, eu ri dele. Eu estava me sentindo extremamente confiante, já que o próprio Rio Ferdinand disse acreditar que o Arsenal venceria a Premier League. É nisso que você precisa continuar acreditando, certo? Um seis vezes vencedor da Premier League apoiando o seu clube para ultrapassar os limites nesta temporada.
Essa crença só ficou mais forte no dia 4 de outubro, quando o Arsenal subiu ao topo da tabela após uma vitória por 2 a 0 sobre o West Ham United. Gols do ex-meio-campista do West Ham Declan Rice e Bukayo Saka levaram o Arsenal ao topo.
Durante grande parte da temporada, o Arsenal permaneceu quase perfeito, mesmo que a sensação ao seu redor fosse de que nunca esteve totalmente no controle.
O primeiro revés veio em dezembro, quando o Arsenal perdeu por 2 a 1 fora para o Aston Villa, após uma vitória tardia de Emiliano Buendia.
A derrota causou uma onda de pânico entre os torcedores do Arsenal sobre uma possível mudança de trajetória e uma repetição da temporada 2022/23, principalmente porque o time parecia dominante contra rivais mais fortes, como Tottenham Hotspur e Chelsea.
Felizmente, esses temores foram atenuados apenas algumas semanas depois, quando o Aston Villa visitou o estádio do Arsenal, o Emirates, em 30 de dezembro e o Arsenal os derrotou por 4-1.
Essa vitória foi um lembrete de que o pânico em torno do Arsenal após uma derrota é muitas vezes maior do que a realidade.
Os resultados da liga permaneceram fortes até que o Arsenal se deparou com outra oportunidade de fazer uma declaração, desta vez contra o ressurgente Manchester United sob o comando de Michael Carrick.
O United já havia vencido o Manchester City no clássico e depois também conseguiu vencer o Arsenal.
Apesar da derrota, o Arsenal manteve-se no topo da tabela. Mas para os torcedores do Arsenal, as memórias dos colapsos anteriores começaram mais uma vez a retornar.
Depois vieram os empates contra Brentford e Wolverhampton Wanderers.
A confiança começou a diminuir e havia uma sensação crescente de que o City, fortalecido pelas chegadas de Marc Guehi e Antoine Semenyo, estava a começar a ganhar impulso. A vitória do City contra o Arsenal na final da Carabao Cup, em 2 de março, serviu para consolidar esse sentimento.
Os torcedores tiveram outro momento de esperança e alívio em 14 de março, quando Max Dowman, de 16 anos, marcou um gol brilhante na vitória por 2 a 0 sobre o Everton, enquanto o City só conseguiu empatar em 1 a 1 fora de casa com o West Ham. Nessa fase, parecia que tínhamos conseguido.
Mas então a história se repetiu e o Arsenal se viu em outra seqüência de derrotas – uma derrota para o Southampton nas quartas de final da FA Cup e derrotas na liga contra o Bournemouth e, recentemente, o City.
O Arsenal ainda lidera com três pontos. Porém, o City tem um jogo a menos e, se vencer o Burnley por alguns gols, ficará na frente no saldo de gols.
Isso está acontecendo de novo? Vamos perder tudo no último minuto? Espero que não, mas de alguma forma isto mostra-nos mais uma vez que o Arsenal tem mostrado crescimento ao longo da temporada. No entanto, a falta de domínio permitiu ao City voltar à corrida pelo título.
Nas famosas palavras de Declan Rice: “Ainda não está feito”, mas não há como negar que tornamos as coisas muito difíceis para nós mesmos.
As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.