A petição afirmava que o hospital e a operadora não forneceram os documentos exigidos pelo tribunal
Os contratos, faturas, comprovantes de pagamentos, fluxos de caixa e relatórios financeiros da Santa Casa de Campo Grande voltaram a estar no centro das disputas judiciais. Depois de decidir fornecer documentos para esclarecer informações sobre a administração e operadora do hospital Santa Casa Saúde, uma nova petição apresentada esta semana informa que a ordem não foi cumprida no prazo estabelecido pela Justiça.
O Instituto Artigo Quinto entrou com petição na Justiça para reconhecer o descumprimento da Santa Casa de Campo Grande e da operadora Santa Casa Saúde em ordens judiciais, que deveriam fornecer documentos financeiros como contratos, faturas e relatórios. A entidade pede multa de R$ 10 mil por dia ao presidente da entidade e R$ 50 mil à operadora. A Santa Casa nega qualquer irregularidade e afirma ter prestado todos os esclarecimentos.
O pedido foi protocolado nesta segunda-feira (1º) no IA5 (Instituto Artigo Quinto), pelo autor da ação para acesso à documentação. A entidade pede que o tribunal admita o descumprimento da decisão, ordene a entrega imediata dos documentos e implemente medidas para fazer cumprir a ordem.
As negociações começaram em março deste ano, quando Eduardo Lacerda Trevisan, juiz da Segunda Vara de Dispersão Homogênea, Direitos Coletivos e Individuais, autorizou a produção preliminar de provas e ordenou que a Santa Casa e a operadora Santa Casa Saúde apresentassem os documentos produzidos a partir de janeiro de 2023.
Na decisão, o juiz destacou que a organização presta serviços de interesse público na área da saúde e o acesso à informação pode ajudar a esclarecer informações relacionadas à administração da organização. O juiz observou ainda que o conhecimento prévio dos dados poderia justificar ou até mesmo evitar ações judiciais futuras.
Outro fator considerado pelo juiz foram as tentativas anteriores de obtenção de documentos por via administrativa. Conforme registrado na decisão, o instituto solicitou as informações antes de recorrer ao Judiciário, mas não obteve acesso ao material.
A ordem judicial determinou a produção de contratos administrativos e pessoais assinados pela Santa Casa e pela Santa Casa Saúde, incluindo contratos de gestão, consultoria, administração, auditoria, fornecimento de produtos e prestação de serviços. Foram também solicitadas faturas, comprovativos de pagamento, transferências bancárias e registos contabilísticos relativos às operações realizadas desde janeiro de 2023.
A lista inclui relatórios financeiros detalhados sobre contas a pagar e a receber, fluxos de caixa, empréstimos, renegociações financeiras, alterações contratuais e outras atividades consideradas relevantes para a análise da situação financeira da organização.
Por se tratar de documentos internos, o tribunal determinou que o processo tramitasse sob sigilo judicial.
as notícias – Na petição apresentada esta semana, o instituto informou que a Santa Casa foi notificada da decisão no dia 27 de março e a operadora Santa Casa Saúde no dia 26 de março. Segundo o comunicado, o prazo de 30 dias estabelecido pelo Judiciário expirou sem a apresentação completa dos documentos exigidos.
O documento sustenta ainda que os recursos apresentados pelas instituições não suspenderam os efeitos da decisão e, portanto, a obrigação de fornecer os documentos permaneceu válida durante todo o processo.
Com base nesse entendimento, a entidade pediu à Justiça a aplicação de multa diária de R$ 10 mil ao presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, limitada a R$ 500 mil. Para a operadora Santa Casa Saúde, o pedido é de multa de R$ 50 mil por dia, até o limite de R$ 1,5 milhão.
A petição também solicita outras providências para garantir o cumprimento da ordem judicial. Entre eles, o Ministério Público é contactado caso o tribunal perceba que houve uma resistência injustificada à entrega de documentos.
do outro lado – Conforme solicitado pela reportagem, o presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, disse que o pedido de prisão mencionado na petição não representa uma decisão judicial.
“Trata-se apenas de um pedido apresentado pelo autor, e não de uma decisão judicial. A Santa Casa, por meio de seu departamento jurídico, já prestou todos os esclarecimentos e apresentou sua defesa, cabendo agora ao departamento judicial analisar os argumentos e decidir a questão”, declarou.
O diretor acrescentou que a organização está comprometida com a transparência e o cumprimento dos requisitos legais. Segundo ele, a Santa Casa tem como foco prestar atendimento hospitalar à população.