O Legislativo disse que não poderia comentar sobre a elegibilidade, mas continuaria avaliando documentos e informações
A Câmara Municipal de Terenos informou que respeita a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que aprovou a volta ao cargo do prefeito Henrik Budke (PSDB), mas disse que não comentaria o mérito da determinação judicial. O Legislativo destacou que continuará analisando documentos e informações relacionadas ao caso de forma independente e dentro de suas atribuições legais.
A Câmara de Terenos disse respeitar a decisão do STJ que permitiu o retorno do prefeito Henrik Budd ao cargo, mas disse que não comentaria o mérito e continuaria analisando de forma independente os documentos do caso. O ministro Ribeiro Dantas considerou excessiva a ausência superior a oito meses. Budke responde à Operação Spotless, que investiga fraude em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e crime organizado.
A decisão do STJ foi publicada nesta quarta-feira (24). Ao aprovar a volta de Budd, o ministro Ribeiro Dantas levou em consideração o afastamento cautelar de oito meses imposto ao prefeito durante a Operação Spotless, que investigou suspeitas de fraude em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e organizações criminosas no município.
Em nota oficial, a Câmara disse que, por se tratar de decisão judicial, respeita integralmente a determinação e por não fazer parte do processo, não lhe cabe manifestar-se sobre o mérito da ação.
“A Casa das Leis esclarece ainda que continuará analisando e avaliando internamente documentos e informações já em tramitação, de forma independente e dentro de suas atribuições constitucionais e legais. Caso sejam identificados elementos que justifiquem a adoção de medidas cabíveis, serão avaliados e considerados pelos conselheiros”, observam os princípios legais informados pela administração, que segue os princípios legais.
O Campo Grande News entrou em contato com Henrik Budok, mas, até a última atualização desta reportagem, o prefeito não havia retornado o contato. O espaço está aberto para publicação.
Segundo a Prefeitura de Terenos, até a tarde desta quinta-feira (25), o município ainda não foi notificado oficialmente da decisão do STJ.
ou caso
A Operação Spotless retornou a Mercúrio cerca de nove meses após seu lançamento. Em setembro do ano passado, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e o Gecoc (Grupo Especial de Prevenção à Corrupção) prenderam o prefeito e emitiram mandados contra empresários, servidores e pessoas ligadas à administração municipal.
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) estaria investigando 26 pessoas por fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo os promotores, o Terrenos é um grupo estruturado que atua dentro da Prefeitura para direcionar licitações, dividir contratos públicos e obter benefícios indevidos. A investigação apontou movimentações de mais de R$ 16 milhões em contratos de obras e serviços
O MPMS também sustentou que Budke recebeu pelo menos R$ 646 mil em propina entre 2021 e 2024. A denúncia também vincula o desenvolvimento do imóvel do prefeito ao projeto que está sendo investigado. Nas eleições de 2020, declarou bens de R$ 776 mil. Quatro anos depois, ele reportou bens no valor de R$ 2,46 milhões.
Preso durante a operação, Budke foi libertado da prisão em outubro de 2025 por decisão do STJ. Na ocasião, Ribeiro Dantas foi substituído por prisão preventiva com medidas cautelares, incluindo afastamento do cargo, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com outras pessoas sob investigação.
Desde então, a defesa busca revogar o afastamento. Em maio deste ano, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) indeferiu o pedido de retorno ao cargo. Na época, o desembargador Jairo Roberto de Quadros entendeu que o prefeito ainda tinha influência sobre documentos relativos a funcionários, contratos e investigações.
do outro lado
Em nota, os advogados Daniel Castro, Felipe Barbosa e Julicezar Barbosa afirmaram que a decisão do STJ reconhece a necessidade desnecessária de afastamento cautelar.
“A decisão do Superior Tribunal de Justiça reconhece a destituição desnecessária do prefeito municipal, restabelecendo o exercício do seu mandato. A volta ao cargo contribui para o restabelecimento da normalidade administrativa e institucional no município, fortalecendo a confiança de que a inocência de Henrique será demonstrada ao longo do processo de investigação”, disse.
Apesar do seu mandato ter sido restaurado, Budke continuará sujeito a medidas cautelares impostas pelo tribunal. Continuará a usar tornozeleira eletrónica, está proibido de contactar testemunhas e outros arguidos e abster-se-á de interferir em licitações e contratos que sejam objeto de investigação.








