“Não há nada melhor do que fazer coisas diferentes”

Existem atores que estão para sempre associados a um personagem. E há outros que fazem da transformação uma forma de se estabelecer numa profissão. Karolina Copelioff pertence a esse segundo grupo.

Muitos a conheceram quando ela era adolescente, graças a Nina Simonetti, a adorável personagem do filme “Soy Luna”, que a tornou um dos rostos mais queridos da Disney América Latina. Porém, longe de se instalar neste lugar de sucesso, optou por seguir um caminho diferente: o teatro, o cinema de autor e a ficção, atravessado por conflitos sociais, feridas profundas e mulheres complicadas.

Karo Kopeliof luta apenas com Para Ti

Em poucos anos, passou do papel principal de uma das séries juvenis de maior sucesso da região ao papel de heróis em produções como “Cromañón”, “Maxima”, “La gaviota”, “En el mud” e agora “Cautiva”, a nova ficção em que estrela ao lado de Lorena Vega, inspirada em um caso real.

Sua jornada não parece ser uma estratégia de carreira, mas sim uma busca pessoal. “Manter-se fiel à atuação e às atividades profissionais que almejava”, resume em conversa com Para Ti. Ele fala com uma calma que entende que o sucesso também está na escolha de projetos que desafiem, movam e façam recomeçar.

Nesta entrevista, Caro reflete sobre a importância de interpretar histórias verdadeiras, o retorno de “Soy Luna”, conectando-se com fãs que a acompanham há uma década, e o projeto que ela diz ter lhe dado uma nova confiança em si mesma.

Karo Kopeliof luta apenas com Para Ti

— Depois de “Soy Luna” a direção da carreira foi muito surpreendente. Você escolheu personagens muito diversos e mulheres com histórias fortes. Como você vivenciou essa transformação?

— Acho que também tem algo de preferência pessoal. Meus primeiros projetos foram a Disney, e obviamente isso faz uma grande diferença porque é a primeira coisa que você começa. Mas a minha formação é muito mais sobre tudo o que aconteceu depois disso e como me comunico com os projetos.

Não sinto que nada tenha mudado, mas continuei a fazer coisas e a me comprometer com a atuação e com as atividades profissionais que desejava. Gosto muito de cinema, gosto muito de teatro, então comecei a me comunicar com diretores que admiro. Por exemplo, sempre foi um sonho realizar o filme “A Gaivota” em San Martin.

Karo Kopeliof luta apenas com Para Ti

— E agora “I am Luna” também está de volta. Como você está vivenciando esse reencontro?

– É muito legal. Como atriz, nada é melhor para mim do que fazer coisas diferentesmas voltar também é algo muito especial. Reencontrei muitos amigos, pessoas da produção que amo muito. Voltar para interpretar um personagem que as pessoas tanto amavam também é honrar tudo o que ele me deu.

Os fãs continuam a escrever para Nina. É uma loucura porque agora não só quem cresceu com a série está descobrindo, mas também as novas gerações. Poder interpretar aquele personagem novamente dez anos depois é uma experiência que não acontece muitas vezes na vida.

Karo Kopeliof luta apenas com Para Ti

— Parece que nos últimos anos você interpretou mulheres que estão passando por colapsos muito profundos.

— Sim, é uma loucura, porque acho que tinha um artigo ali. Personagens que começam muito brilhantes e algo interrompe completamente suas vidas. Depois há crescimento, transformação. Também está relacionado à idade e ao momento da vida em que a pessoa se encontra.

Muitas vezes não é que uma pessoa possa escolher tudo o que faz. Mas tento encontrar o máximo possível de cada personagem e trabalho o máximo possível para entendê-los.

Karo Kopeliof luta apenas com Para Ti

— Algum desses personagens é particularmente parecido com Caroline?

— Não, na verdade não. Talvez haja algo de “Kaija”, daquela garota cheia de sonhos e entusiasmo em atuar. Acho que muitas atrizes se identificam com esse texto. Mais tarde, quando eu era menina, a Nina provavelmente teve as minhas coisas: eu sempre fui muito trabalhadora, muito maluca. Mas hoje sinto que nenhum deles realmente se parece comigo.

— Karolina, de 16 anos, imaginou essa carreira?

— Não sei se está certo, mas não tinha imaginado mais nada. Esse desejo surgiu desde cedo. Frequentei uma escola voltada para artes durante toda a minha vida e tive a sorte de ter pais que me apoiavam. Hoje entendo muito mais essa jornada e também sou grata por ter podido vivenciar cada etapa no meu tempo.

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— Há alguma coisa naquela glória adolescente que você gostaria de vivenciar novamente?

— Foi uma experiência única e aprendi muito. Mas também houve momentos de dor, porque nessa idade tudo se vive com muita intensidade. Hoje, olho para trás e penso: “Ei, não foi grande coisa”. Mas ei, eu tinha 16 anos.

— Agora vem “Cautiva”, onde você divide o elenco com Lorena Vega. Como surgiu este projeto?

— Primeiro fiz a seleção e depois a segunda audição com a Laura. Algo muito legal aconteceu lá. Ela me escreveu com antecedência para que pudéssemos nos reunir para o ensaio.

Karo Kopeliof luta apenas com Para Ti

Nos encontramos no sábado às oito da manhã em um café. O gesto foi lindo porque me fez sentir que éramos uma equipe desde o início. Saímos então do casting com ele e Paula Hernández, uma das diretoras, abraçados na chuva. Ainda não sabíamos se tínhamos sido selecionados, mas foi uma sensação muito boa termos construído algo juntos.

— “Captiva” é inspirado em um caso real e conta a história de uma mulher que consegue escapar fisicamente, mas cuja cabeça permanece presa por tudo que viveu.

– Sim. Acho que essa foi a coisa mais difícil de entender como atriz. Porque você pode sair fisicamente do lugar, mas a cabeça ainda fica lá por muito tempo.

Karo Kopeliof luta apenas com Para Ti

O mais difícil foi entender como cresce uma pessoa que passa quatorze anos na prisão. Como muda sua maneira de pensar, como essas palavras que ela ouve há tanto tempo começam a fazer parte dela. Foi muito trabalho, muito estudo, muito filme, muita conversa.

— Como foi conhecer Sylvia, a mulher cuja história inspirou a série?

— Primeiro conversamos sobre o Zoom e foi muito mobilizador. Ela me contou muito e acho que confiou muito em mim. Eu também queria dizer a ele que faríamos isso da maneira mais amorosa e que eu daria minha alma e corpo para isso.

Karo Kopeliof luta apenas com Para Ti

Aí ele veio para as filmagens e foi muito importante para mim. Ouvi-la me ajudou muito porque há coisas que você não pode imaginar, a menos que alguém que as viveu lhe conte.

— O que “Captiva” deixou para você pessoalmente?

— Foi um processo muito poderoso, porque ao mesmo tempo eu estava criando “Kaija”. Me deu imensa resiliência, gratidão e também confiança no meu trabalho.

Espero que traga muitas coisas boas, mas já as trouxe. Acho que esse projeto me deu muita autoconfiança.

Karo Kopeliof luta apenas com Para Ti

— Por que você achou importante contar essa história?

— Porque muitas vezes acreditamos que tudo acaba quando uma pessoa consegue sair de uma situação abusiva. Mas, na verdade, outro enorme caminho começa aí.

Tudo o que permanece na mente, no corpo, nas memórias. E dá muito trabalho conseguir conviver com isso. Acho muito valioso que a série também foque nessa parte da história.

Fotos de Chris Beliera @chrisbeliera

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