O apresentador falou no evento Semana S e discutiu o impacto da inteligência artificial na comunicação

Apresentador Marcelo Tas durante entrevista em Campo Grande (Foto: Maya Severino)

Durante a abertura oficial da Semana S 2026, realizada na Academia Senac Hub, um dos primeiros efeitos da visita de Marcelo Tass ao Campo Grande nesta sexta-feira (15) foi o cheiro de terra molhada depois da chuva. Jornalistas, apresentadores, atores, roteiristas, diretores e escritores participaram dos principais momentos do evento com palestra sobre comunicação em aceleração digital e refletiram sobre o impacto da inteligência artificial, a velocidade da informação e os desafios do jornalismo contemporâneo.

O jornalista e apresentador Marcelo Tas participou da abertura da Semana S 2026 em Campo Grande com palestra sobre comunicação na era digital. Ele destacou que a inteligência artificial requer consciência humana e que o jornalismo deve priorizar o contexto em detrimento da velocidade. “A correria acabou”, disse ele, guardando a prontidão e a prudência. Realizado na Academia Senac Hub, o evento reuniu empresários, estudantes e profissionais para discutir inovação e mercado de trabalho.

A Semana S acontece simultaneamente em vários estados brasileiros e reúne ações gratuitas de formação profissional, negócios e integração entre a sociedade e instituições do sistema Fecomércio-MS. No Mato Grosso do Sul, o evento reuniu representantes comerciais, empresários, estudantes e profissionais interessados ​​em discutir transformação digital, mercado de trabalho e inovação.

A nova passagem de Marcelo Tass por Campo Grande foi marcada pela relação emocional que ele rapidamente construiu com a cidade. O apresentador contou que, ao chegar cansado, resolveu dar um passeio à noite e sentiu o clima da capital logo após a chuva.

“Cheguei cansado, tomei banho à noite, saí, pelo menos para sair, e aí choveu e senti cheiro de terra molhada, que espetáculo”, relatou.

Segundo ele, a experiência despertou lembranças e fortaleceu a valorização da diversidade do Brasil. O jornalista também elogiou as áreas verdes e o cuidado urbano de Campo Grande.

“É uma região linda do país, merece o cuidado que vocês dão aqui. Gosto das praças, dos parques”, comentou, lembrando que visitou alguns espaços públicos mesmo tendo pouco tempo na cidade.

Muito à vontade nas conversas com os repórteres, Tass falou sobre o relacionamento histórico que manteve com o Sistema Ace ao longo de sua carreira. Segundo ele, grande parte de sua trajetória profissional envolveu iniciativas relacionadas ao CESC, SENAC e outros projetos educacionais.

“O Sistema S está na minha vida profissional há muitas décadas. É difícil mensurar, porque o Rá-Tim-Bum só existiu por causa do Sistema S. Telecurso, sabe? O que eu faço hoje na educação corporativa, com o Sesc, com o Senac, como aqui em Campo Grande. Então, é um prazer estar aqui, ele pôde colaborar no estado.”

Em discurso apresentado ao público mato-grossense, Tass explicou que o foco será provocar a reflexão sobre a situação atual da comunicação diante da acelerada mudança tecnológica, especialmente com o avanço da inteligência artificial.

“É um momento de grandes mudanças, todo mundo sabe. Principalmente na comunicação. Então, meu viés é a comunicação. Estou aqui hoje para animar a turma”, disse.

Abordando o tema inteligência artificial, o apresentador defendeu que a tecnologia precisa ser acompanhada da consciência humana e da capacidade de percepção. Para ele, antes da IA ​​está o que ele chama de “IC”, a inteligência do corpo.

“O desafio é que na era da IA, onde tendemos a falar tanto de tecnologia, antes de mais nada temos que entender que existe inteligência artificial, é preciso CI para fazer funcionar, que é a inteligência do corpo”, disse.

Tuss também alertou para a sobrecarga de informação e a ansiedade devido à lógica acelerada do ambiente digital. Segundo ele, o entendimento é mais importante do que a coleta de dados.

“No mundo dos índices, antes de você carregar uma informação, seja ela carregada nas costas ou na nuvem, é importante você entender o que é relevante. Qual a sua dúvida? Qual o seu problema? Qual a sua dor?”, refletiu.

Durante a entrevista, Marcelo Tass também falou sobre os desafios do jornalismo em meio à sobrecarga de informações e à luta pela velocidade nas redes e plataformas digitais. Para ele, a lógica da “pressa” já não responde às necessidades atuais do público.

“Não adianta ter pressa. A correria acabou. A pressa não resolve mais o problema, porque o seu público já tem acesso às notícias o tempo todo”, disse.

Na sua avaliação, o principal papel do jornalismo contemporâneo é menos a corrida à primeira publicação e mais a capacidade de contextualizar, organizar e explicar os acontecimentos. “O principal valor hoje está na compreensão dessas informações”, destaca.

Distinguindo urgência de imediatismo, Tass argumentou que os jornalistas devem cultivar a percepção crítica e o equilíbrio para não aumentar a ansiedade colectiva ou comprometer a qualidade da informação.

“Se você fizer isso com pressa, você pode ajudar a degradar a qualidade da notícia. Agora, se você for diferente da pressa, se você fizer isso com agilidade, se você tiver agilidade para entender o assunto relevante, ouvir, conversar com seus colegas e preparar esse pacotinho para brincar nesse mar grande, você está contribuindo muito mais.”

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