Os deputados disseram que a conversa ocorreu antes do escândalo envolvendo o Banco Master
Deputados sul-mato-grossenses saíram em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL), após vazamento de áudio em que ele buscava apoio financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Parlamentares do Mato Grosso do Sul saíram em defesa do senador Flávio Bolsonaro após o vazamento de um áudio no qual ele buscava ajuda financeira do banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal sob acusação de fraude, lavagem de dinheiro e corrupção, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os aliados disseram não ver nenhuma evidência de impropriedade, argumentando que a conversa precedeu o escândalo envolvendo Banko Master.
Integrantes da base bolsonarista classificaram o caso como tentativa de subversão política. Para o deputado federal Marcos Polón (PL), o próprio Flávio deixou claro que “quem merece não tem medo”.
O deputado federal Luiz Ovando (PL) divulgou nota dizendo que acompanha as denúncias envolvendo o senador, mas considera que ninguém pode ser condenado por “manchetes, vazamentos ou vantagem política”. Segundo ele, o incidente precisa ser investigado e o episódio não pode funcionar como “cortina de fumaça”.
Nas redes sociais, o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL) saiu em defesa de Flávio Bolsonaro. O parlamentar argumentou que mesmo no momento em que o senador buscou apoio pessoal para o filme do pai, não houve denúncias envolvendo Vorkaro e Banquo Master.
“Naquela altura não havia nenhum escândalo ou qualquer condenação judicial associada ao seu nome (Vorcaro). No sector privado funciona assim: quem investe num projecto participa nos lucros, e o que há de ilegal nisso?
No Alemes (Legislatura de Mato Grosso do Sul), o deputado estadual Roberto Rajuk Filho, Neno Rajuk (PL) avaliou que, durante a conversa, Vorcaro foi visto como um empresário “respeitável”. Quanto ao parlamentar, o vazamento não afetará a eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
“Ele não lidou com verbas governamentais, não tratou de nada relacionado à corrupção. Ele buscou o patrocínio do pai para financiar um filme. Então não vejo nada de ilegal, nada que possa causar danos. Embora o valor seja substancial, não há indícios de corrupção”, declarou Rajuk.
O deputado estadual Carlos Alberto David dos Santos, o coronel David (PL), disse que o episódio não abala a confiança do partido em Flávio Bolsonaro, mesmo depois de o senador ter dito publicamente que não tinha nada a ver com Vorcaro.
“Asha tem fé inabalável, não só em mim, mas também em grande parte do partido. Ela é nossa candidata e vencerá as eleições”, disse ele.
O coronel David acrescentou ainda que o tom de intimidade na conversa seria algo comum “entre os cariocas” e disse que Flávio estava em busca de recursos porque já tinha compromissos financeiros com os produtores do filme.
Na Câmara Municipal de Campo Grande, os vereadores também minimizaram o caso. André Salineiro (PL) disse que o partido ainda precisa discutir a melhor forma de lidar com a situação, mas disse que é cedo para tirar conclusões.
“A ação do Flávio não é totalmente compreendida. Não houve culpa, não houve ilegalidade. Ele não queria dinheiro para enriquecer, nem fazer nada de errado. Queria apoio da iniciativa privada para pagar o filme”, disse.
Na mesma linha, Rafael Tavares (PL) avaliou que a conversa tratou apenas de pedidos de financiamento privado e disse não ver irregularidades. Os deputados entrevistados também apoiaram a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso.
Daniel Vorkaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal em março deste ano por suspeita de envolvimento em fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Segundo a investigação, o banqueiro é investigado por suposto envolvimento em organização criminosa que visa ocultação de bens, lavagem de dinheiro, corrupção e acesso ilegal a informações confidenciais.
Vorcaro já foi alvo de prisão em 2025. Segundo a Polícia Federal, mesmo após a primeira operação, ele continuou transferindo bens bilionários em nome de terceiros. A conversa com Flávio Bolsonaro aconteceu em setembro do ano passado, período que, segundo aliados do senador, antecedeu a revelação do escândalo envolvendo o banco.



