Sem consenso, foi marcada nova reunião com a Câmara Municipal para tentar definir o impasse
As negociações entre o ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública) e o município de Campo Grande sobre o pagamento de 5,4% previsto na Política Nacional de Piso Docente permanecem sem acordo.
O impasse entre o sindicato dos professores e a cidade de Campo Grande sobre o aumento de 5,4% no salário mínimo permanece após uma nova rodada de negociações. A secretaria rejeitou a oferta de pagamento integral apenas em dezembro de 2026, preservando o recebimento imediato conforme exigido por lei. O sindicato afirma ter recursos para honrar seu compromisso com a educação. Uma nova reunião será realizada nesta sexta-feira e, caso não haja acordo, os professores poderão entrar em greve.
Em entrevista coletiva realizada na sede da entidade na tarde desta terça-feira (1º), o presidente do sindicato, Gilvano Kunzler Bronzoni, disse que a secretaria rejeitou uma nova proposta da administração municipal que previa o pagamento integral do índice apenas em dezembro de 2026.
Segundo a ACP, a Prefeitura voltou a apresentar a opção de parcelamento do reajuste nesta reunião desta terça. Em determinado momento das negociações, a administração municipal concordou inicialmente em cumprir integralmente os 5,4%, mas condicionou o pagamento a dezembro. A proposta foi rejeitada pela secretaria, que considerou o prazo inconsistente com compromissos previamente firmados.
Sem consenso, uma nova reunião foi marcada para esta sexta-feira (3). A reunião pode determinar a direção da discussão.
Segundo Gilvano Bronzoni, o impasse começou no dia 8 de junho, após a Prefeitura ser informada de que não teria condições de cumprir leis municipais e federais relativas à reposição salarial.
“Depois que a Câmara Municipal respondeu que não poderia cumprir a atual lei municipal e federal quanto à reposição mínima de 5,4%, organizamos uma greve. No dia 12 nos reunimos com o prefeito Adrien Lopes e ficou muito claro que vamos buscar formas dentro do orçamento da educação para dar 5,4%”, disse em 2026.
O Presidente destacou que esta foi a terceira ronda de negociações desde a reunião com o Presidente da Câmara e criticou as sucessivas propostas de parcelamento apresentadas pelo Executivo.
“Apresentamos números que mostram que é possível honrar esse compromisso antecipadamente. Para o trabalhador é sempre parcelado, quando tem que ser sacado integralmente é antecipado. Nossa proposta é cumprir integralmente o compromisso”, declarou.
Segundo Bronzoni, a equipe técnica da Prefeitura aceitou parte dos cálculos apresentados pela ACP, mas manteve resistência ao prazo de pagamento.
“Eles levantam outros fatores relacionados à situação financeira de Campo Grande, que aceitamos, mas estamos falando de educação. Na educação há condição de cumprir os 5,4% previstos em lei”, disse.
O presidente do sindicato explicou que a proposta apresentada nesta terça previa apenas o pagamento do reajuste em dezembro, o que foi rejeitado sem sequer levar para discussão em reunião departamental.
“A secretaria não vai esperar até dezembro para receber o que foi em maio e o que foi renegociado no ano passado. Por isso sugerimos uma nova reunião para que a Câmara Municipal possa reconsiderar esta proposta”, disse.
As atuais tratativas acontecem depois que os professores também rejeitaram, na última quarta-feira (24), outra proposta da Prefeitura, que prevê reajuste de 3,4%, dividido em duas parcelas de 1,7%. A proposta foi discutida em reunião com representantes da ACP, Prefeitura, Comissão de Educação da Câmara Municipal e gestão municipal, mas não foi adotada.
Para o sindicato, a posição do departamento continua a mesma: pagamento integral de 5,4% e cumprimento do cronograma das demais parcelas da Política do Piso Nacional até 2030.
“A posição da secretaria é correta. Não podemos mais falar em parcelamento. Campo Grande precisa de planejamento e pode começar pela educação, obedecendo a lei”, destacou Bronzoni.
Caso não haja avanços na reunião de sexta-feira, a ACP disse que convocará reunião para discutir os próximos passos. Segundo o presidente, a possibilidade de greve é forte se a proposta da Prefeitura estiver longe das reivindicações dos profissionais.
“Essa decisão depende da assembleia, mas dificilmente ela decidirá porque não há greve. Ninguém apoia a greve, nem o sindicato, nem os professores, nem a comunidade. Mas, se não houver uma proposta satisfatória, este poderá ser o caminho a seguir”, concluiu.
A expectativa da entidade é que a Prefeitura apresente uma proposta concreta na próxima reunião, encerrando um impasse que já terminou em quase 20 dias de negociações.






