O relatório final observou uma forte falta de provas de apropriação indébita de fundos do Gabinete
A Câmara dos Dorados protocolou pedido de cassação do mandato da vereadora Isa Jane Marcondes (Republicana) por suposto abuso da PAC (cota para exercício da atividade parlamentar) conhecida como “fundos de escritório”.
A vereadora da Câmara de Dourados, Isa Jane Marcondes (Republicana), entrou com pedido de impeachment por suposto desvio de recursos do gabinete. Por unanimidade, os 20 vereadores presentes aprovaram o relatório da comissão de processamento, que destacou a falta de provas relativamente às alegações, incluindo a de que os bens foram utilizados para pagar a viagem ao festival Tomorrowland. O vereador enfrenta outros dois pedidos de impeachment ainda pendentes.
Em sessão na tarde desta sexta-feira (29), os vereadores aprovaram por unanimidade o relatório final da comissão de tramitação instituída em fevereiro deste ano, que destacou a falta de provas em relação às denúncias apresentadas pelo advogado Wagner Batista da Silva.
Ao solicitar a retirada, o advogado citou evidências de que a cota foi usada para abastecer as viagens pessoais de Issa Jane, incluindo uma aparição no Tomorrowland Electronic Music Festival, em outubro de 2025.
Lido na íntegra por Ederson Marcio Ramos (PSDB), 2º secretário da Câmara e presidente da Comissão de Processamento, o relatório final elaborado pelo vereador Semar Arnal (PP) afirmou que não houve “provas satisfatórias e fortes” de qualquer ato de corrupção ou improbidade administrativa por parte de Isa Jane Markondes para representar e Isa Jane Markondes.
O relator concluiu que o denunciante não conseguiu comprovar a utilização irregular dos fundos e que os pedidos de reembolso apresentados pelo vereador estavam “formalmente acompanhados de documentos fiscais que identificam a data, estação, valor e matrícula dos veículos fornecidos”.
Após três meses de trabalho, a comissão de processamento concluiu que faltavam evidências confiáveis de que os insumos fornecidos pelo Ceap fossem utilizados em viagens incompatíveis com os mandatos parlamentares. “A representação não demonstrou que houve oferta ‘estrangeira’ para participar em festa ou evento político-partidário para cumprimento do mandato”, refere o documento.
A defesa de Isa Jane Marcondes alegou que os veículos eram utilizados em rotina intensa, tanto por ela quanto por seus assessores, e apresentou provas de que parte do abastecimento foi pago com seu próprio bolso, incluindo idas a festivais de música eletrônica.
Segundo o relatório, a alegação “baseava-se em provas e correlações cronológicas, mas estas foram insuficientes para demonstrar, com o rigor exigido no processo de revogação do mandato, um efetivo desvio de recursos”.
“A revogação de ordem eleitoral é medida extrema que interfere na representação popular e exige provas sólidas da prática. O material apresentado na denúncia foi suficiente para abertura do processo, mas, após a investigação, esses indícios não se tornaram provas confiáveis de uso indevido do Ceap”, observou o repórter.
Dos 21 vereadores, 20 votaram pela aprovação do relatório, ou seja, pela absolvição de Isa Jane Marcondes. Ele acompanhou a sessão de seu assento, mas foi impedido de votar e falar. Após a decisão, ele foi até a galeria cumprimentar os apoiadores. O vereador ainda enfrenta mais dois pedidos de impeachment, pendentes no Legislativo.










