‘Sempre os ouço antes de vê-los’: drones provocam medo na Colômbia | Notícias sobre conflitos

Ataque e vigilância

Analistas dizem que os grupos armados utilizam dispositivos aéreos para dois propósitos principais: ataque e vigilância.

“Eles têm como alvo certas infra-estruturas, atacam a polícia e os militares”, disse Bonilla. “Mas outro uso muito comum é o controle territorial por meio de voos de vigilância”.

Ela destacou o uso de drones para pesquisar terras agrícolas onde a coca é cultivada, o principal componente da cocaína e uma importante fonte de renda para grupos armados.

Lá, drones são usados ​​para monitorar lavouras e laboratórios, substituindo a fiscalização a pé ou de moto.

Os grupos armados colombianos adquirem drones através de uma variedade de métodos de compra online, incluindo plataformas de consumo como Amazon e Temu, bem como intermediários urbanos e contrabando transfronteiriço. Esses dispositivos foram então modificados para uso em combate.

“Agora eles estão comprando drones comerciais, como os drones DJI da China, mas não drones básicos de consumo, que têm um alcance de apenas três a quatro quilômetros (1,8 a 2,5 milhas)”, disse Camilo Mendoza, analista de defesa e autor de “Colombia Under the Drone Threat”.

“São grandes drones industriais usados ​​para inspeções, com maior alcance, tetos mais altos e capacidade de transportar cargas mais pesadas”.

Mendoza estima que a maioria das pessoas consegue levantar em média 1,5 kg (3,3 libras), mas algumas podem carregar cargas de 3 kg (6,6 libras) ou mais.

Alguns são usados ​​para transportar dispositivos explosivos improvisados ​​(IEDs), feitos de tubos plásticos cheios de explosivos industriais e estilhaços.

Esses explosivos são então liberados por meio de ativação remota.

“Eles aprendem por tentativa e erro”, disse Mendoza. “Há até vídeos que eles enviam para o TikTok e outras mídias sociais, fazendo testes de peso e equilíbrio. Então eles carregam meio quilo de arroz, levantam o drone e dizem: ‘Não, isso não funciona. “

Os próprios modelos estão se tornando cada vez mais complexos. Alguns grupos estão até usando drones com visão em primeira pessoa (FPV), que usam óculos de proteção durante o vôo, proporcionando aos pilotos uma visão direta e imersiva do drone.

A utilização de drones no conflito armado colombiano não significa que os grupos armados tenham abandonado dispositivos mais tradicionais, como IEDs, granadas e minas terrestres.

Mas os drones têm vantagens tácticas para estes grupos, que muitas vezes estão espalhados pelas áreas rurais. Eles também são mais fáceis de operar.

“Um piloto de aeronave convencional passa cerca de um a dois anos na fase de treinamento, dependendo da aeronave e da missão”, disse Mendoza. “Aprender a pilotar um drone – isso leva uma semana.”

Aprender a construir e operar drones para utilização em conflitos tornou-se um esforço global, acrescentou.

Os grupos armados colombianos teriam aprendido lições com a guerra na Ucrânia, que Mendoza chama de “laboratório da guerra moderna”.

Segundo as suas fontes, alguns colombianos – a maioria ligados a dissidentes das FARC – estão a viajar para a Ucrânia fazendo-se passar por antigos soldados ou agentes da polícia para aprenderem tecnologia de ponta com drones.

Link da fonte