Pesquisadores dizem que o iPhone pode ser um fator no declínio da taxa de natalidade

As taxas de fertilidade têm diminuído há décadas, mas o declínio acelerou dramaticamente nos últimos 20 anos, e os investigadores ainda estão a tentar explicar completamente porquê.

Agora, uma nova pesquisa sugere que o dispositivo que define a vida moderna pode estar desempenhando um papel importante: o iPhone.

O smartphone foi lançado pela primeira vez em 2007, coincidindo com uma virada nas tendências de natalidade nos Estados Unidos e em outros lugares. O momento levou Caitlin Myers, economista americana do Middlebury College, em Vermont, a investigar se havia uma ligação.


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“É uma questão interessante. Por que a taxa de natalidade está em queda livre?” Myers disse em uma entrevista. “Desde 2007, a taxa de natalidade nos EUA caiu quase um quarto.”

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A sua investigação analisa se o aumento do tempo de ecrã e a mudança para interações digitais podem levar indiretamente à redução das taxas de gravidez, através da redução do contacto cara a cara.

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Para testar essa ideia, Myers analisou as taxas de natalidade por condado dos EUA nos primeiros anos após o lançamento do iPhone. Na época, o dispositivo só estava disponível na AT&T, o que significava que era acessível em algumas áreas e não em outras.

Ao comparar as regiões e controlar factores como o rendimento, a educação e as políticas contraceptivas, ela descobriu que as taxas de natalidade caíram mais rapidamente onde havia iPhones disponíveis.

“Observamos que onde você pode comprar um iPhone, as taxas de natalidade caem mais rapidamente”, disse Myers.

O princípio é simples: quanto mais tempo você passa online, menos tempo passa cara a cara. “É difícil engravidar quando você não está com alguém”, disse ela ao Global News.

As taxas de fertilidade em muitos países estão actualmente muito abaixo dos níveis de reposição. Nos Estados Unidos, a taxa é de cerca de 1,6 filho por mulher. No Canadá, o número é ainda menor, em torno de 1,25.

Esta tendência não se limita aos países ricos. As taxas de natalidade estão caindo em todo o mundo.

Ainda assim, os especialistas alertam que é improvável que os smartphones sejam a única ou mesmo a principal causa.


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A década de 2000 trouxe uma série de mudanças sociais e económicas significativas que se acredita terem levado ao chamado “baby boom”. Estes incluem a crise financeira global, o aumento dos custos de habitação, o aumento dos níveis de educação e o aumento do acesso à contracepção.

A escritora Celia Chandler, que narrou a sua própria experiência de escolher não ter filhos, disse que pode ser um exagero traçar uma linha direta entre a tecnologia e as pessoas que decidem não ter filhos.

“Acho que provavelmente é um exagero dizer que a tecnologia está impedindo as pessoas de terem filhos”, disse ela.

Chandler acredita que uma das mudanças mais importantes nas últimas décadas é que cada vez mais pessoas, especialmente mulheres, se sentem capacitadas para escolher se querem ser pais.

“Sinto-me muito sortuda por ter nascido numa época em que tive escolhas”, disse ela.

Os investigadores reconhecem que é improvável que o iPhone por si só explique uma tendência global tão complexa, mas dizem que pode ser parte de uma mudança mais ampla na forma como as pessoas se conectam, constroem relacionamentos e estruturam a forma como vivem.

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