São Paulo—— SÃO PAULO (AP) — Brasil Os Estados Unidos são um país politicamente dividido, mas há uma coisa que é adorada por pessoas de todo o espectro político: o PIX, o sistema de pagamentos instantâneos do país que permite aos usuários pagar por tudo, desde sorvete na praia até roupas no shopping e até carros.
Ao contrário dos aplicativos de pagamento administrados por bancos privados, o PIX é regido pelo Banco Central do Brasil. A sua enorme popularidade gerou um volume de transações de 7 biliões de dólares no ano passado, mas agora enfrenta o escrutínio do governo dos EUA por práticas comerciais desleais que contornam as redes de crédito tradicionais como Visa e Mastercard.
“A melhor (forma de pagamento) é o PIX, que também é o mais usado”, disse Luis Felipe de Almeida, 21 anos, vendedor de chá gelado e biscoitos de tapioca na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. “Ninguém anda mais com dinheiro em espécie, todo mundo só usa o telefone, então usa o PIX.”
Lançado em 2020, o PIX permite que qualquer pessoa com condição de contribuinte individual brasileiro, empresa registrada ou entidade governamental transfira recursos instantaneamente. O único requisito é uma conta em banco brasileiro.
O PIX também pode usar códigos QR. Pessoas físicas não pagam taxas por transferências PIX e, embora alguns bancos cobrem taxas de transação de empresas, essas taxas são significativamente mais baixas do que as transferências bancárias normais no Brasil, que também podem levar horas para serem concluídas.
Em julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) Presidente Donald Trump Foi iniciada uma investigação sobre o PIX, alegando que ele compete injustamente com os operadores de cartão de crédito dos EUA porque oferece uma alternativa às taxas de transação.
A Índia tem um sistema de pagamentos semelhante, que não foi contestado pelo gabinete do Representante Comercial dos EUA, apesar de ter processado 300 mil milhões de dólares em pagamentos só em Março. Novamente, não há taxas de transação.
A classe média brasileira usa o PIX para tudo, desde pequenos pagamentos até grandes compras.
Marcello Palladini, um dono de restaurante de 57 anos de São Paulo, usa o PIX principalmente para pagar fornecedores por transações superiores a 1.000 reais (US$ 200), já que muitas pessoas não aceitam cartões de crédito para esses pagamentos. Mesmo assim, ele disse que a maioria de seus clientes prefere pagar seus almoços com cartão de crédito ou vale-refeição.
“Quando quero comprar algo rápido, pago pelo PIX e recebo na hora. Também faço PIX com alguns fornecedores que acompanho de perto e eles me mandam a fatura completa no final do mês”, disse Palladini.
Ele critica a forma injusta como alguns bancos cobram taxas de transação das empresas, mas geralmente é fã do PIX.
“O PIX funciona muito bem, tudo é em tempo real”, disse.
Muitas grandes empresas no Brasil utilizam o PIX para pagar seus funcionários. Casas, carros e até helicópteros podem ser adquiridos através do mesmo sistema – embora grandes somas geralmente tenham que ser aprovadas primeiro por um banco.
Apesar do sucesso, o PIX não estava isento de falhas. As redes criminosas perceberam que poderiam explorar o sistema roubando telefones e transferindo dezenas de milhares de reais brasileiros instantaneamente, tornando difícil para a polícia, os bancos e as companhias de seguros brasileiras conter o rápido fluxo de fundos roubados.
As autoridades e empresas brasileiras estão rastreando e frequentemente fechando contas bancárias envolvidas em transações suspeitas e limitando as transferências PIX a partir das 20h. para a manhã seguinte, para que os fraudadores não possam movimentar grandes somas de dinheiro imediatamente porque a maioria dos clientes não prestará atenção às mensagens em seus telefones marcando suas contas como tendo sido transacionadas.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, um think tank, estima que entre janeiro e setembro do ano passado, 24 milhões a 28 milhões de pessoas foram atacadas por crimes relacionados ao PIX, mas não estimou o valor das perdas.
“O PIX é seguro do ponto de vista técnico e jurídico. Mas não está imune à fraude, porque o risco não reside na sua tecnologia, mas nas pessoas que tentam enganar os outros”, disse Ana Paula Siqueira, especialista jurídica digital brasileira. “As fraudes mais comuns incluem manipulação psicológica, identidades falsas e solicitações de pagamentos urgentes”.
Ainda assim, esses riscos não impediram que 178 milhões dos 213 milhões de residentes do Brasil se inscrevessem no PIX.
“O amor não acontece de repente, leva tempo”, gritou Claudia Quirino, vendedora brasileira de bolinhos de massa em uma feira ao ar livre no bairro de Pinheiros, em São Paulo. “Mas o PIX é instantâneo! Compre agora!”
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Os redatores da Associated Press Lucas Dumphreys, Mario Lobao no Rio de Janeiro e Vineeta Deepak em Nova Delhi contribuíram para este relatório.








