O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, um líder de esquerda, condenou a decisão dos EUA de designar duas redes criminosas no país sul-americano como “terroristas” e alertou que o rótulo poderia causar “retrocessos” para a aplicação da lei local.

Um total de 435 palavras de condenação Informação postado nas plataformas de mídia social de Lula na sexta-feira.

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Nele, Lula traçou uma linha clara entre a atividade criminosa e o terrorismo internacional, que geralmente é entendido como o uso da violência para atingir fins políticos ou sociais.

“O terror que estes grupos infligem às comunidades visa gerar lucros através do crime, especialmente através do tráfico de drogas e armas”, escreveu Lula.

Acrescentou que estas atividades, por mais violentas que sejam, “não podem ser confundidas com ações de motivação ideológica, política ou religiosa que caracterizam o terrorismo internacional”.

A declaração de Lula veio em resposta a uma declaração emitida um dia antes pela administração do presidente dos EUA, Donald Trump.

Resista ao rótulo de “terrorista”

Na quinta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, revelou que designou dois dos maiores grupos criminosos do Brasil – Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “terroristas globais especialmente designados”.

Ele também delineou planos para adicionar os dois grupos a uma lista de “organizações terroristas estrangeiras” que entrará em vigor em 5 de junho.

Há meses que há rumores de que a administração Trump rotularia ambos os grupos de “terroristas”. Mas Lula e seus ministros recuaram, pedindo a Trump que adiasse.

As designações “terroristas” congelam todos os bens dos EUA associados ao grupo visado, mas também podem ser usadas para punir qualquer pessoa que lhes forneça “apoio material ou recursos”.

Os especialistas alertam que tais restrições podem afetar as instituições financeiras e até as vítimas de tais grupos, incluindo empresas e indivíduos que podem ser forçados a pagar taxas de extorsão.

Lula também expressou preocupação de que o rótulo de “terrorista” possa abrir caminho para a intervenção militar dos EUA, preocupação que reiterou em comunicado na sexta-feira, embora nunca tenha nomeado Trump diretamente.

“Continuamos totalmente preparados para desenvolver soluções conjuntas que tragam benefícios mútuos a todos os países envolvidos”, escreveu Lula.

“No entanto, não toleraremos a imposição de medidas arbitrárias no estrangeiro, nem aceitaremos a sua utilização como desculpa para minar a nossa soberania ou economia. Medidas unilaterais e não negociadas podem minar operações contra criminosos e desencadear ações que ponham em perigo a vida de pessoas que não têm absolutamente nada a ver com o crime”.

Tensão nas eleições no Brasil

Lula, um proeminente líder de esquerda na América Latina, está no meio de uma temporada eleitoral acirrada enquanto busca um quarto mandato não consecutivo como presidente do Brasil.

Anteriormente, atuou como presidente de 2003 a 2011 e foi reeleito para um terceiro mandato em 2022.

Nessa eleição, ele derrotou o titular de direita Jair Bolsonaro, que mais tarde foi condenado por tentar anular os resultados eleitorais. Bolsonaro cumpre atualmente uma pena de 27 anos de prisão.

Acredita-se que seu filho mais velho, o senador Flavio Bolsonaro, tenha desempenhado um papel importante na decisão de Trump de emitir a designação de “terrorista”. O senador disputa atualmente contra Lula as eleições presidenciais de 2026 em uma disputa acirrada.

Durante visita à Casa Branca esta semana, o senador Bolsonaro confirmou aos repórteres que pretendia buscar designações “terroristas” para os comandos da capital e os comandos Vermello.

Trump tem laços estreitos com a família Bolsonaro e já interferiu em eleições em todo o mundo em nome de candidatos de direita.

Em postagem na sexta-feira, Lula acusou o senador Bolsonaro de usar suas conexões familiares para “peticionar às autoridades estrangeiras” para obter apoio.

“É lamentável que membros da família Bolsonaro tenham viajado mais uma vez aos Estados Unidos para defender a intervenção estrangeira no Brasil”, escreveu Lula.

Ele apontou supostos esforços para bloquear o processo criminal de Jair Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do ex-presidente, enfrenta atualmente acusações de obstrução à justiça por pressionar Trump a intervir no caso.

Trump acabou por impor sanções severas aos produtos brasileiros em agosto de 2025, citando o julgamento de Bolsonaro.

preocupações com a soberania

Sob Trump, os Estados Unidos adoptaram uma abordagem cada vez mais expansionista ao Hemisfério Ocidental, revivendo a Doutrina Monroe do século XIX, que descrevia as Américas como a esfera de influência de Washington.

O próprio Trump citou crimes como justificativa para uma ação militar unilateral na região. Desde Setembro, o seu governo realizou 59 ataques contra navios suspeitos de tráfico de droga nas Caraíbas e no Pacífico oriental, matando pelo menos 196 pessoas.

Em 3 de janeiro, ele lançou uma operação militar contra a Venezuela no início da manhã, eventualmente sequestrando e prendendo o então presidente Nicolás Maduro sob acusações de tráfico de drogas.

Apesar das aberturas da família Bolsonaro a Trump nos últimos meses, Lula criticou as ações da liderança militar como injustificadas.

Mas espera-se que a segurança seja uma questão importante na campanha presidencial de Outubro. O título de “terrorista” desta semana poderia colocar Lula numa posição embaraçosa, forçando-o a denunciar o rótulo sem minimizar a extensão da violência.

Lula procurou refutar as críticas da direita de que ele era negligente na sua luta contra o crime, apontando para o recente investimento de 11 mil milhões de dólares do seu governo em planos para combater o crime organizado no Brasil.

Segue-se ao lançamento, em Março, de um plano de 2 mil milhões de dólares para reforçar as prisões do país, melhorar as investigações de homicídios e reprimir o tráfico de armas e outras transacções financeiras por grupos criminosos.

Ainda assim, Lula e Bolsonaro continuam empatados antes das eleições de outubro.

Em 16 de maio, a empresa de pesquisas Datafolha descobriu que ambos os candidatos receberiam 45% de apoio dos eleitores em uma eleição um a um, com 9% dos eleitores afirmando que dariam um voto inválido.

Os outros 1% estão indecisos.

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