O presidente do Brasil disse que ficou surpreso com a tarifa proposta de 25%, que surge em meio a sinais de melhoria nas relações entre os dois países.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou as novas tarifas propostas pelos EUA, dizendo ser “inaceitável” o tratamento de seu país.

A repreensão de quarta-feira ocorreu um dia depois de o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 25% sobre algumas importações brasileiras, parecendo minar um degelo emergente entre os dois países.

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Lula disse estar otimista de que as relações entre os dois países estavam melhorando depois de se reunir com Trump na Casa Branca em maio.

Durante o primeiro ano do segundo mandato de Trump, que começa em 20 de janeiro de 2025, os dois líderes entraram em confronto sobre comércio, direitos humanos e questões políticas.

Lula, um antigo líder de esquerda, rapidamente emergiu como um dos principais críticos da abordagem agressiva da segunda administração de Trump à América Latina, incluindo o seu ataque de 3 de janeiro à Venezuela e o aumento da presença militar dos EUA nas Caraíbas.

Ao mesmo tempo, Trump atacou o governo brasileiro por supostamente censurar vozes de direita. O líder dos EUA tem laços estreitos com o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e sua família, que são figuras proeminentes na extrema direita do Brasil.

No ano passado, depois de os procuradores federais terem levado Bolsonaro a julgamento por tentar subverter a democracia brasileira, Trump respondeu impondo múltiplas rondas de tarifas ao Brasil, chegando a 50% sobre muitos produtos.

Bolsonaro acabou sendo condenado e sentenciado a 27 anos de prisão por tentar reverter sua derrota nas eleições de 2022 para Lula.

Na quarta-feira, Lula disse que ficou surpreso com as tarifas recentemente propostas, acrescentando que as negociações comerciais dos EUA com o Brasil ainda estavam em andamento. Ele acrescentou que o Brasil ainda quer estabelecer relações institucionais com os Estados Unidos, mas buscará outros parceiros comerciais se necessário.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse na terça-feira que as últimas propostas tarifárias seguem uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais.

De acordo com o resumo, a investigação se concentra em questões como desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol e fiscalização anticorrupção. Concluiu que as práticas comerciais entre os dois países eram “irracionais e oneravam ou restringiam o comércio dos EUA”.

Em entrevista à CNBC, Greer também destacou que existe um “enorme” déficit comercial entre os Estados Unidos e o Brasil.

No entanto, os dados públicos contradizem esta afirmação e mostram que os Estados Unidos mantêm um excedente comercial com o Brasil.

Por exemplo, em Março, o Brasil comprou mais bens dos Estados Unidos do que exportou, o equivalente a um excedente comercial de 420 milhões de dólares.

Especialistas dizem que a administração Trump parece estar a prosseguir uma nova estratégia tarifária depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter derrubado tarifas globais impostas pela Casa Branca ao abrigo da Lei Internacional de Poderes Económicos de Emergência (IEEPA), em Fevereiro.

As novas tarifas foram impostas ao abrigo da Secção 301 da política comercial dos EUA. O estatuto confere ao governo dos EUA ampla autoridade para impor sanções comerciais com base em alegadas violações de acordos comerciais.

Também permite a imposição de penalidades ao abrigo da Lei Comercial de 1974 para práticas comerciais consideradas “injustas”.

A última rodada de tarifas contra o Brasil entrará em um período de comentários públicos que terminará no início de julho.

Vários dos principais produtos brasileiros estão isentos das novas tarifas, incluindo carne bovina, café, terras raras, outros metais, energia e peças de aeronaves.

As últimas propostas tarifárias ocorrem no momento em que Lula enfrenta uma disputa acirrada contra o filho mais velho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, pela reeleição em novembro.

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