O direito internacional é mais importante do que nunca, numa altura em que até mesmo os países centrais do sistema global o estão a pôr em causa, disse ontem o secretário-geral das Nações Unidas.

Assinalando o 80º aniversário do Tribunal Internacional de Justiça, o tribunal superior da ONU, António Guterres disse: “Hoje, violações do direito internacional estão a desenrolar-se diante dos nossos olhos”.

“É precisamente porque o sistema internacional está sob tanta pressão que a adesão ao direito internacional é mais importante do que nunca – especialmente nesta era de mudanças nas relações de poder”, disse ele.

“A força da lei deve sempre prevalecer sobre a lei da força.”

Guterres discursava numa sessão especial do tribunal mundial, no suntuoso Palácio da Paz, em Haia, também com a presença do rei holandês Willem-Alexander.

Ele observou que quando o tribunal – que resolve disputas entre estados – completou 80 anos, estava mais ocupado do que nunca.

O TIJ tem estado nas manchetes, nomeadamente num caso movido pela África do Sul contra Israel, alegando que a sua campanha em Gaza viola a Convenção das Nações Unidas sobre o Genocídio.

Também no ano passado emitiu uma decisão ambiental histórica, obrigando os Estados a enfrentar as alterações climáticas e abrindo caminho para reparações caso não o fizessem.

Mas instituições como o TIJ, que defendem o direito internacional, são cada vez mais “questionadas e desafiadas”, disse o líder da ONU.

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