África lidera Ásia na crise da fome

Um relatório das Nações Unidas divulgado ontem afirmou que, pela primeira vez, África tornou-se o continente com o maior número de pessoas que enfrentam a fome, à medida que cada vez mais africanos enfrentam a subnutrição.

O relatório anual das Nações Unidas sobre segurança alimentar e nutrição concluiu que, em geral, tem havido progresso gradual na redução da fome nos últimos anos, mas o progresso tem sido desigual.

“O centro de gravidade da fome deslocou-se da Ásia para África”, disse David Laborde, Diretor do Departamento de Economia Agroalimentar da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO).

“Há vinte e cinco anos, a China ainda tinha um problema de fome, mas resolveu-o; a Índia também tinha um problema, mas estava a fazer um grande esforço para o resolver ativamente”, disse à AFP.

O relatório, preparado pela FAO e quatro outras agências das Nações Unidas, estimou que 309 milhões de pessoas, ou 20 por cento da população, sofreram de fome em África no ano passado.

Segue-se a Ásia, onde 292 milhões de pessoas (6% da população) sofrem de fome.

No geral, a proporção da população mundial que enfrenta a fome caiu de 8,6% em 2022 para 7,8% em 2025, estima a agência da ONU.

As agências observaram que, embora isto significasse que a população caiu 43 milhões, para 645 milhões, o número ainda era maior do que antes da pandemia. A incidência da desnutrição em África tem vindo a aumentar desde 2017, embora a agência das Nações Unidas afirme que as últimas estimativas apontam para sinais de melhoria até 2025.

Entretanto, a proporção de pessoas que não têm condições de pagar dietas saudáveis ​​aumentou em África desde 2021, ao mesmo tempo que diminuiu noutras partes do mundo.

Dois terços dos africanos não podem pagar uma dieta saudável, mais do dobro do nível observado na Ásia.



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