Diretor de apartamentos de Toronto, famoso mercado de aluguel da cidade

Tristan Wheeler tem uma pergunta simples: como fazer um filme em uma cidade onde o aluguel pode te matar primeiro?

“Vivemos em uma cidade onde é muito caro morar, então você gasta muito do seu tempo atendendo às suas necessidades básicas: ter um emprego, ter um teto sobre sua cabeça. Isso leva mais tempo do que apenas ser uma pessoa criativa”, diz o cineasta sobre Toronto, cenário e inspiração para sua maluca comédia negra. Círculo de TorontoÉ sobre um inquilino que aluga seu espaço por hora para pagar o aluguel.

Wheeler fala TR depois que o filme teve sua estreia mundial no Mammoth Lakes Film Festival, na Califórnia, em maio, e pouco antes de sua estreia canadense no Paradise Theatre de Toronto, na noite de quarta-feira, como parte do showcase Bleeding Edge. A crónica crise habitacional da cidade, espelhando a situação noutros centros criativos dispendiosos como Nova Iorque, Los Angeles e Londres, forneceu a premissa absurda do filme, mas o seu impacto no mundo real na comunidade de Wheeler não é brincadeira.

Tristan Wheeler escreveu, dirigiu e estrela Círculo de Toronto.

Tristan Wheeler

Para ele, esta é uma questão de classe. “Venho de uma família da classe trabalhadora. Não tenho muito dinheiro nem nada parecido. Portanto, tenho que criar muita arte DIY com um orçamento muito baixo e tenho que usar essas restrições a meu favor e tirar proveito delas”, explica ele, apontando para uma lacuna crescente entre os cineastas de Toronto que podem se dar ao luxo de seguir suas carreiras criativas e aqueles que não podem.

Círculo de Toronto Lock começa com O’Hara (interpretado por Wheeler) sendo abandonado por sua namorada Ava (Jessica Grossman), que o deixa incapaz de pagar o aluguel sozinho. Diante do despejo, Lock bola um plano: ele subloca o apartamento nos horários em que não o utiliza. Em pouco tempo, ela está fazendo um bom negócio com um grupo de inquilinos nômades de Toronto – um grupo de encontros platônicos assexuados, um clube do livro feminista e um “grupo de tricô” que acaba sendo uma célula terrorista secreta – todos pagando pelo uso de seu “espaço comunitário”. O anfitrião (Neal Armstrong) está menos impressionado.

Um romance emergente complica ainda mais as coisas. A artista multimídia Thalia (Alex Jodi Verge) quer instalar uma tela verde no apartamento; Lock resiste à renovação, mas sente-se atraído por ela. O dilema central do filme lentamente entra em foco: Lock é um provedor comunitário benevolente ou apenas mais um proprietário lucrando com o aumento dos aluguéis em Toronto?

Círculo de Toronto Foi filmado em 2024, quando a bolha do mercado imobiliário da cidade estava começando a estourar. Isso aconteceu quando Wheeler estava pulando de sublocação em sublocação para se manter à tona depois de se mudar da costa oeste para o leste do Canadá.

Círculo de Toronto Sua estreia canadense acontecerá na noite de quarta-feira no Paradise Theatre, em Toronto.

Tristan Wheeler

“Eu tinha terminado um relacionamento, tive que me mudar e precisava de um lugar para ficar”, lembra ela. “Então eu estava pulando de sublocação estranha em sublocação estranha, apenas tentando viver como uma pessoa criativa, tentando viver nesta cidade. E eu acordava todos os dias pensando que tinha que lutar para descobrir isso.”

Incluindo esta luta Círculo de Toronto É dirigido por Wheeler com um orçamento de US$ 10.000, usando uma câmera de US$ 200, com a colaboração de cineastas DIY locais durante 11 dias de filmagem nos finais de semana. Sua equipe inclui Braden Sitter Sr. como diretor de fotografia e produtor executivo. e teve Austin Birtch como coprodutor.

A estética lo-fi é totalmente intencional. “Quando você assiste a este filme, parece um orçamento muito baixo e isso foi intencional”, explica Wheeler. “Não posso passar meu filme como Christopher Nolan ou Ari Aster ou algo assim. Preciso saber que esta é uma obra de arte de alguém tentando fazê-la funcionar.”

Também contornou o financiamento do governo canadense, do qual dependiam muitos cineastas locais, o que trouxe sua própria liberdade. “Você não pode estragar um dia de cinema porque não temos dinheiro para refilmagens, e são apenas US$ 10 mil. Não preciso dar a alguém US$ 1 milhão no final disso. Não tenho investidores tão pesados. Assim, podemos nos divertir um pouco mais, ser experimentais e encontrar emoção nos momentos.”

“É ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição, porque permite que você crie arte, crie uma expressão tão estreita e pura de si mesmo, e não tenha que lutar para chegar à superfície – contra todos os recursos que tornam esse processo um pouco mais fácil”, insiste Wheeler. Ao mesmo tempo, ele teve liberdade criativa ao fazê-lo. Apartamento Toronto.

“Vocês dois não podem arruinar um dia de cinema porque não temos dinheiro para refilmagens. Mas também são apenas US$ 10 mil. Não preciso dar a ninguém US$ 1 milhão no final disso. Não tenho investidores tão pesados. Assim, podemos nos divertir um pouco mais, ser experimentais e encontrar emoção nos momentos”, lembrou Wheeler. A comédia negra, que inclui Toronto no título, dá continuidade a uma tendência recente nos filmes canadenses, em que os diretores usam as cidades onde vivem como personagens e não disfarçam mais as locações como fazem em outros lugares dos Estados Unidos.

Estes incluem o primeiro longa-metragem de Sophy Romvari: Garça Azul, Filmado em Vancouver e arredores, no set de Toronto Grupo Nirvana, Programa, Filme Escrito por Matt Johnson e Jay McCarrol e Chandler Levack Pontapés de fim de milha, Uma comédia romântica estrelada por Barbie Ferreira, ambientada em um bairro chique de Montreal. “Esses filmes são populares no Canadá agora… Eles não estão tentando ser como a cidade de Nova York. E meu filme é sobre um cara que mora em Toronto, porque sou um cara que mora em Toronto”, insiste Wheeler.

No final das contas, ele fez o filme para jovens artistas que sentiam a mesma situação que ele, enfrentando novas ameaças da inteligência artificial ao lado de ameaças antigas, como o aluguel.

Wheeler diz: “Meu filme é para pessoas como eu. Vim para esta cidade porque queria ser uma pessoa criativa e sabia que havia muitas coisas divertidas e interessantes acontecendo aqui. Contanto que você entenda seu filme e seu orçamento, você poderá fazer algo com o qual as pessoas se identifiquem.”

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