Ouro e luz – ladepeche.fr

Aí está ele, grande Yaz. Aqui está ele este “Don Zinedine” de Madrid e do mundo que tantos amantes esperavam quando o viram entediado no “banco de suplentes”. Desde ontem de manhã, um pouco mais na realidade, Zinedine Zidane assumiu o comando do destino (sempre tão promissor) da seleção francesa. Ele a queria e até queria apenas ela, recusando regularmente montanhas de euros de que não precisa e orações pagãs que nunca o tocaram. O artista “mudo” do Bernabeu (mas também de La Bocca, Lescure e do extinto Staddio delle Alpi), aquele dos nossos sonhos azul-brancos pode ter mais a perder do que a ganhar (Platini poderia ter-lhe dito algumas palavras…), mas isso não importa.
O casamento não pôde ser celebrado. Estava escrito. Inscrito nas leis sagradas do jogo mais popular (belo) do planeta. O herói da Copa do Mundo de 1998, para sempre o primeiro do nosso país tantas vezes derrotado, há muito excluído da felicidade, tinha um acordo com a escolha do país escolhido por sua família da Argélia. Bastou esperar “um pouco” até que Didier Deschamps, “irmão” de armas e de triunfos, tivesse a gentileza de lembrar que o traje (que às vezes lhe caía muito bem) não era dele. Não para a vida.
Renomeado Zizou (e não Zazie, por Rolland Courbis que não viu chegar ao poder o seu “pequenino”, aquele que ele treinou mas acima de tudo amou tanto) para deleite de jovens e velhos que podiam cantar indefinidamente estas duas sílabas mágicas, ZZ chegou. Sem pressa. O grande ZZ, a pé, de terno e caveira “limpio”. Grande jogador e depois treinador de sucesso do Real Madrid (continua a ser um deus vivo na capital), Marseillais não tem garantias.
Os mistérios do grande sucesso, no futebol como noutros lugares, não obedecem à reputação, ao passado nem à boa aparência dos dirigentes eleitos. Os exemplos de erros, às vezes definitivos, mencionamos Platoche, ele não é o único, são muitos. Porém, parece que esse cara, com o grupo de garotos incríveis (mesmo Mbappé não é tão velho assim) que vai encontrar no lixo, não pode faltar nada. E como ele sabe melhor do que ninguém ler e apreciar este estilo espanhol que tanto nos magoa, outro dia do outro lado do Charco, dizemos a nós mesmos que ele tem tudo para não decepcionar.
Ao chegar ao Boulevard de Grenelle, ele falou dos amigos, de Aimé, de 98 anos, desse time francês com quem está desde jovem. “Essa é a única coisa que eu queria…” A comovente confissão. Um punhado de apoiadores estava esperando por ele. Ele foi vê-los, é claro, quase ansioso.
A cabeçada? Esquecido, ampliado pela lenda. Dúvida? Eles não existem. O futuro? Ouro e luz, claro! Então, quando vamos jogar?

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