O caminho para o WC é construído com base em promessas. Alguns vêm da história, outros da oportunidade. Quando Brasil e Marrocos entram em campo em East Rutherford, trazem ambos consigo. Um carrega cinco estrelas e duas décadas de expectativas não concretizadas, enquanto o outro surge como o porta-estandarte da geração mais ambiciosa do futebol africano.
O encontro deles é moldado tanto pelo que veio antes quanto pelo que está por vir. O Brasil confiou ao italiano Carlo Ancelotti para acabar com uma seca de títulos que antes era impensável para a nação mais bem-sucedida da história da Copa do Mundo. Marrocos carrega o ímpeto de uma meia-final que mudou a percepção do que o futebol africano poderia alcançar, e o desafio de provar que esse avanço foi o início e não o auge.
Poucos jogos de abertura têm tanta intriga.
A chegada do Brasil à América do Norte vem com expectativas familiares e circunstâncias desconhecidas. Ancelotti é o primeiro técnico estrangeiro a comandar a Seleção em uma Copa do Mundo, com a missão de encerrar uma espera de 24 anos. Sua equipe continua rica em talentos ofensivos, com Vinicius Junior e Raphinha assumindo grande parte da carga criativa, enquanto Neymar continua se recuperando de uma lesão na panturrilha.
O italiano tem buscado tornar o Brasil mais direto, mais estruturado e menos dependente de momentos de brilho pessoal. Se este desenvolvimento conseguirá sobreviver à intensidade dos torneios de futebol, ficará mais claro frente a uma das equipas mais disciplinadas da competição.
Os Leões do Atlas não são mais outsiders capazes de surpreender os adversários. São campeões africanos e semifinalistas da última Copa do Mundo, uma seleção que agora deverá competir com os melhores. A transição de Walid Regragui para Mohamed Ouahbi deu à equipa uma dimensão ofensiva.
Embora a resiliência defensiva de Marrocos permaneça intacta, Ouahbi incentivou uma abordagem mais aventureira, colocando maior ênfase na posse de bola e nas combinações de ataque. Muito dependerá de Achraf Hakimi, do Paris Saint-Germain, cuja capacidade de influenciar ambas as áreas o torna um dos talentos mais emocionantes do jogo.
O Brasil buscará explorar rapidamente o espaço através de Vinicius e Raphinha, enquanto o Marrocos buscará comprimir o meio-campo e atacar através das movimentações de Brahim Diaz e Hakimi. O duelo entre o famoso ataque do Brasil e a compacta estrutura defensiva do Marrocos promete ser uma das partidas mais envolventes da fase de grupos.
Com Escócia e Haiti ainda por disputar no Grupo C, nenhuma das equipas se pode permitir um tropeço precoce. Uma vitória proporcionaria impulso e espaço para respirar, enquanto uma derrota traria um escrutínio imediato.
Para duas nações com ambições muito além da fase de grupos, a Copa do Mundo começa com um teste digno da ocasião.
Publicado em 12 de junho de 2026







