Triatlo. Uma mãe, uma filha, um cume: a aventura norueguesa de Christelle e Morgane

o essencial
Christelle Rocchi participa neste verão na Noruega do Norseman, uma das provas de triatlo mais difíceis do mundo. E é junto com a filha Morgane que ela estará na largada. Mãe na corrida, filha como companheira, uma aventura bastante familiar em perspectiva.

Neste verão, Christelle Rocchi enfrentará um dos triatlos mais formidáveis ​​do mundo: o Norseman Xtreme Triathlon. Um evento lendário, conhecido pela sua dureza, entre águas geladas, passagens vertiginosas e clima imprevisível. Mas nesta aventura extraordinária, a triatleta não estará sozinha: ao seu lado, sua filha Morgane Rocchi, de 25 anos, terá um papel fundamental. Porque na Norseman, o apoio é parte integrante da corrida. Dois assistentes são necessários para guiar, reabastecer e cuidar do atleta durante os 226 quilômetros até o lendário pico do Gaustatoppen.

Morgane liderou o caminho

Para Christelle, esta escolha era óbvia. “Quando me qualifiquei para Norseman, a primeira pessoa para quem liguei foi Morgane. Eu sabia que seria ela quem me diria: ‘Ah, sim, precisamos ir!’”, Diz ela. Uma relação próxima, criada tanto pelo desporto como pela vida. Sua história com o triatlo remonta a vários anos. E ao contrário do que se poderia pensar, foi a menina quem abriu o caminho. “Comecei a escola de triatlo em 2016. Na verdade é um pouco o contrário, fui eu quem trouxe minha mãe para lá”, sorri Morgane. Christelle iniciou o formato S em 2019. Um primeiro triatlo simbólico, compartilhado com a filha pouco antes de partir para a Espanha, onde Morgane estava prestes a terminar os estudos de Fonoaudiologia. Então os caminhos se cruzam novamente. Desta vez a longo prazo. No dia 16 de maio, mãe e filha completaram juntas a primeira distância completa em Carcans. Um destaque.
“Tê-lo em um Ironman completo foi mágico. Não creio que existam muitas duplas mãe-filha neste tipo de evento”, confidencia Christelle.

Morgane acompanha a mãe nos treinos, como aqui na bicicleta.
Coleção particular.

“Nós nos entendemos sem falar”

Desta vez os papéis mudam. Na Noruega, Morgane não será um concorrente, mas sim um pilar nas sombras. “Para mim foi óbvio ir lá e participar disso junto com ela”, explica a jovem. Seu papel será múltiplo: gerenciar os suprimentos, antecipar as trocas de roupa após nadar em águas com temperatura de 13 graus, monitorar a hidratação, a nutrição e principalmente o clima. “Na longa distância, em algum momento, você perde a clareza. Ainda mais. Você precisa de alguém que possa te dizer: agora você come, agora você se troca, cuidado em 30 quilômetros pode congelar”, explica Christelle. Um papel que Morgane conhece muito bem, com sua experiência no triatlo e sua proximidade com a mãe. “Com o menor gesto quero saber o que está acontecendo. A gente se entende com facilidade, sem precisar conversar muito.”

Christelle acabou de passar uma semana explorando na Noruega.
Coleção particular.

“Por que você duvida?”

Esta confiança total será valiosa numa corrida onde cada detalhe conta. Cinquenta dias antes da partida, a dupla entrou na fase do ensaio geral: transições, alimentação, logística, equipamentos… tudo é preciso. “Conferimos tudo: doce, salgado, quente, frio. Praticamos as transições, antecipamos cada cenário”, explica Christelle. Rigorosas, organizadas, as duas mulheres seguem o mesmo método. Esta semana a Christelle foi até explorar o percurso na Noruega, sempre com o objectivo de nos dizermos que não nos esquecemos de nada. “Não ficamos estressados. Preparamos tudo nos mínimos detalhes e isso nos acalma”, afirma Morgane.
Para além da performance, é acima de tudo uma aventura humana que ganha forma. Uma história de transferência reversa, de admiração mútua e confiança absoluta. “Ela é minha apoiadora número um. Quando eu estava com dúvidas antes do Havaí, ela me escreveu: ‘Você fez tudo, mãe, por que está duvidando?’ Nunca esqueci esta mensagem.”
Neste verão, no final dos fiordes noruegueses, no frio e na luta, Christelle Rocchi buscará muito mais do que uma linha de chegada: um momento suspenso com a filha, um raro interlúdio, onde o esporte se torna uma linguagem comum. E talvez um dos capítulos mais bonitos da história de mãe e filha.

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