O projeto de LDO (Lei Diretriz Orçamentária) para o ano de 2027 começou a tramitar hoje, terça-feira (2), em Alems (Legislatura de Mato Grosso do Sul). Apresentada pelo Poder Executivo, a proposta prevê receita total estimada em R$ 27,99 bilhões para o próximo ano, levando em consideração os recursos da administração estadual e do RPPS (sistema próprio de seguridade social). O texto estabelece metas e prioridades fiscais que nortearão a preparação do Orçamento do Estado para 2027.
O Legislativo de Mato Grosso do Sul iniciou a tramitação do projeto LDO para 2027, enviado pelo executivo, com receita total de aproximadamente R$ 27,99 bilhões. A proposta prevê gastos de R$ 25,11 bilhões com a administração estadual e superávit primário consolidado de R$ 282,4 milhões. O texto define prioridades como o fim dos empregos, a inovação tecnológica e a redução da desigualdade e deverá ser votado antes do recesso parlamentar.
Após a pauta para eventual apresentação de emendas parlamentares, o assunto será analisado pela CCJR (Comissão de Constituição, Judiciário e Redação) e pelo CFO (Comissão de Finanças e Orçamento). A moção deve ser votada antes do recesso parlamentar.
A LDO é responsável por definir a LOA (Lei Orçamentária Anual), as prioridades de investimentos, as metas de receitas e os parâmetros para ditar os limites de gastos do governo.
De acordo com o aditivo enviado pelo governo, a previsão para 2027 é de R$ 24,49 bilhões além da receita do RPPS de R$ 27,99 bilhões. O valor representa um aumento em relação às projeções para 2026
O projeto foi baseado em projeções econômicas nacionais e internacionais considerando uma estimativa de inflação de 5,04%, crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 1,89% e uma taxa básica de juros de 13,25% ao ano. O governo também destacou os efeitos das tensões geopolíticas internacionais e das mudanças na política fiscal federal que poderão afetar as receitas e o comportamento da economia nos próximos anos.
Para justificar a proposta, o executivo também citou o cumprimento do Propag (Programa de Pagamento Integral da Dívida Estadual) de Mato Grosso do Sul, que o governo federal criou para reabilitar a dívida estadual. Segundo o documento, o programa exigirá maior controle dos gastos do governo, já que os aumentos iniciais de gastos serão limitados nos primeiros 12 meses após a formalização do acordo com o sindicato.
Os números apresentados na LDO indicam que, mesmo com o crescimento das receitas, as despesas com projectos estatais excedem as receitas em alguns indicadores de receitas. A estimativa é de um gasto total de R$ 25,11 bilhões na administração estadual e R$ 2,87 bilhões em RPPS em 2027. O resultado preliminar consolidado, considerando o sistema previdenciário, é estimado em superávit de R$ 282,4 milhões. Sem considerar o RPPS, a projeção é de déficit inicial de R$ 314,7 milhões.
A proposta também traz um panorama da economia de Mato Grosso do Sul. Entre janeiro e março deste ano, o estado exportou 2,51 bilhões de dólares. Enquanto o valor das vendas diminuiu 1,66% em relação ao mesmo período de 2025, o volume expedido aumentou 11,83%.
A soja lidera a lista de exportações, respondendo por 28,32% das vendas externas, seguida pela celulose, 27,41% e pela carne bovina, 19,38%. A China continua sendo o principal destino das exportações sul-mato-grossenses, concentrando 44,84% dos embarques, seguida pelos Estados Unidos, Holanda e Itália.
Nas importações, Mato Grosso do Sul gerou US$ 751,58 milhões no primeiro trimestre, um aumento de 10,1% na comparação anual.
Entre as diretrizes estabelecidas para 2027, o governo prioriza a conclusão das obras já iniciadas, o incentivo ao investimento em inovação tecnológica, o fortalecimento das políticas de desenvolvimento regional, a modernização da administração pública, a criação de emprego e renda e a redução da desigualdade social.
O texto prevê ainda que as transferências voluntárias aos municípios dependerão de prestação de contas de contratos anteriores e de comprovação de arrecadação de tributos municipais. Além disso, municípios com baixo IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) devem ser priorizados na alocação de determinados recursos estaduais.
Outro fator previsto é a criação de uma reserva para contingências correspondente a pelo menos 0,5% da receita corrente líquida, destinada a cobrir riscos fiscais e despesas inesperadas.
Na área da fiscalidade, a LDO prevê o acompanhamento e revisão dos benefícios fiscais, reforçando a fiscalização e a adaptação gradual às alterações resultantes das reformas fiscais, nomeadamente a futura implementação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
A proposta estabelece ainda os limites de participação de outros poderes e órgãos autónomos na receita corrente líquida do Estado. Pela previsão, o Legislativo poderá chegar até 2,9%, o Tribunal de Contas 2,2%, o Tribunal de Primeira Instância 7,3%, o Ministério Público Estadual 3,9% e a Defensoria Pública até 1,8%.
Com o início do processo, os deputados estaduais terão um prazo para apresentar sugestões e alterações ao texto antes da análise das comissões permanentes. A expectativa é que a matéria seja apreciada e votada em plenário antes do início do recesso parlamentar, o que lançará as bases para a elaboração do Orçamento do Estado para 2027.