O MPT (Ministério das Obras Públicas) entrou na Justiça para tentar proibir no Brasil o uso do glifosato, herbicida mais vendido no mundo e amplamente utilizado na agricultura de grande porte. Ações foram tomadas nesta sexta-feira (22) contra a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Governo Federal.
O Ministério Público do Trabalho entrou com uma ação no Brasil para proibir o uso do glifosato, o herbicida mais vendido no mundo. A ação foi ajuizada contra a Anvisa e o governo federal, pedindo a suspensão do registro, fabricação, importação e comercialização da substância. Os promotores citaram riscos para a saúde humana e o meio ambiente. A IARC classificou o produto como “provavelmente cancerígeno” em 2015. Nenhuma decisão judicial até o momento
A solicitação é para impedir o registro de produtos que contenham glifosato e seus derivados. O Ministério Público também solicitou a suspensão da autorização de produção, exportação, importação, comercialização e uso da substância no país. Na ação, os promotores citaram riscos à vida humana, à saúde ocupacional e ao ambiente de trabalho.
No Mato Grosso do Sul, o pedido de proibição ecoa uma realidade já documentada por pesquisadores, ainda que em escala mais ampla. O relatório produzido por pesquisadores vinculados à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), à UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e à Campanha Permanente Contra Agrotóxicos e Pela Vida menciona a exposição contínua de comunidades indígenas e agrícolas a agrotóxicos em diferentes regiões do estado.
Estudos locais não tratam apenas do glifosato, mas também citam relatos comunitários de casos de TEA (transtorno do espectro do autismo) com uso intensivo do herbicida, além de registros de recém-nascidos com cardiopatias congênitas. Embora o próprio relatório destaque que não estabelece uma relação direta de causa e efeito.
As questões destacadas em MS incluem o escoamento da pulverização, fortes odores tóxicos perto das casas, insegurança quanto à qualidade da água, danos às culturas de subsistência e sintomas relatados pelos residentes devido à exposição a produtos químicos. O estudo entrevistou comunidades tribais e agrícolas entre março e agosto de 2025.
O glifosato tornou-se mundialmente conhecido pelo seu uso no controle de plantas daninhas, principalmente em áreas de monocultura. O produto aparece em formulações utilizadas por grandes empresas químicas e se tornou popular após o avanço de sementes geneticamente modificadas resistentes a herbicidas, como soja, milho, algodão e canola.
O debate não é novo, mas abriu um novo capítulo no Brasil. Em 2015, a Iarc (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer), associada à OMS (Organização Mundial da Saúde), classificou o glifosato como “provavelmente cancerígeno para humanos”. Este é um dos pontos utilizados no debate sobre a segurança da substância.
Segundo Leomar Daroncho, advogado citado na ação, o caso envolve saúde pública. Ele diz que há uma obrigação de reavaliar os riscos quando as organizações internacionais de saúde emitem advertências ou conselhos contra o uso de pesticidas.
A ação também observa que um estudo publicado na revista científica Regulatory Toxicology and Pharmacology, utilizado como referência em discussões regulatórias sobre o glifosato, foi inédito após os autores identificarem um potencial conflito de interesses. A matéria tratava do Roundup, herbicida associado à Bayer.
Caso a Justiça aceite o pedido, a decisão poderá afetar empresas que fabricam, importam, vendem ou utilizam produtos à base de glifosato no país. A Bayer, comprada pela Monsanto em 2016, é uma das empresas mais associadas à história do produto, já que a Monsanto popularizou o uso do herbicida na década de 1970.
Nos Estados Unidos, o assunto também é alvo de disputas judiciais. A ação movida contra a Bayer alega que o uso de produtos à base de glifosato, como o Roundup, pode estar ligado a doenças como o linfoma não-Hodgkin e o mieloma múltiplo. A empresa, por sua vez, afirma em documentos públicos que não há motivos para preocupação com a segurança dos produtos à base da substância.
A Anvisa e a AGU (Advocacia-Geral da União), responsável por representar o governo federal na Justiça, não responderam imediatamente aos pedidos de comentários citados no Relatório Nacional. Nenhuma decisão final foi tomada sobre a operação ainda.










