A viúva de um policial aposentado afirma que ele ainda está preso dentro de casa e pede que um júri populista condene o acusado.

Regina mostra fotos do neto assassinado (Foto: Paolo Francis)

Neste domingo (24), completa-se um ano da morte do policial militar reformado Nelson Carvalho Vieira, de 67 anos, e de seu neto, Denar Vieira Vasconcelos, de 21 anos. Os dois foram mortos a tiros dentro da casa da família em Villa Moreninha II, em Campo Grande. Um ano depois do crime, a residência onde ocorreram os assassinatos é ocupada por Regina Freitas Vieira, viúva de Nelson e avó de Denner. Em meio às lembranças, medos e ameaças, ele diz que vive “como uma prisão”.

O policial militar aposentado Nelson Carvalho Vieira, de 67 anos, e seu neto Denar Vasconcelos, de 21 anos, a viúva Regina Freitas Vieira vivem com medo e intimidação na mesma casa onde ocorreu o crime, Villa Moreninha II, em Campo Grande. Dois suspeitos foram presos, mas Regina disse que outros envolvidos ainda não foram identificados. O julgamento continua sem data definida.

“Não posso mais sair, não posso ficar na frente da minha casa. Não posso fazer mais nada”, disse com veemência, acrescentando que os autores do crime seriam imediatamente presentes a um júri popular.

Segundo Regina, o crime aconteceu no dia 24 de maio de 2025. O avô e o neto estavam na varanda de casa quando foram baleados. Ele disse que dois homens chegaram em uma motocicleta Honda Biz branca e um dos passageiros saiu e disparou dezenas de tiros. Nelson sofreu um único ferimento à bala, enquanto Denner sofreu múltiplas perfurações, várias no rosto, que sua avó disse estar desfigurado. O cachorro da família também foi baleado e ficou cego de um olho. Emocionado, ele relata ter presenciado toda a execução.

Guilherme Urbanek da Rocha, que confessou o crime, e Vitor Manoel Rodrigues Da Silva, conhecido como “Veinho”, cúmplice, foram presos. Regina, porém, disse que outras pessoas participaram do ato e exigiu a identificação dos envolvidos.

Segundo ele, uma audiência marcada para o início deste ano foi adiada e ainda não há nova data definida. Regina disse que o processo tramita em sigilo e o caso é acompanhado por defensor público, mas não apresentou documentos nem comunicados de defesa.

Regina se emociona durante a entrevista. (Foto: Paulo Francisco)

solidão e medo – Ao longo da entrevista, Regina afirmou que a rotina da família mudou completamente após o crime. Outros dois netos, irmão de Dena, deixaram Mato Grosso do Sul após receberem ameaças.

“Perdi tudo, perdi meus netos por causa dele. Não é justo”, disse ela.

Ele disse que muitas vezes os motociclistas passam em frente às residências, aceleram os veículos e, ocasionalmente, são disparados tiros em esquinas próximas. Apesar dos seus receios, ela diz que não tem intenção de sair da casa onde vive há mais de quatro décadas.

“Como faço para sair? Moro aqui há 46 anos. Saio para pagar o aluguel? Não tenho dinheiro para isso”, disse ele.

Segundo Regina, o imóvel ganhou bar e câmeras de monitoramento após a ameaça anterior. Mesmo assim, ela diz que continua insegura.

sofrimento mental- Regina relata ainda que a mãe de Denner, Alexandra Freitas Vieira, sofreu profundas consequências desde o assassinato do filho.

Segundo ele, Alexandra está em tratamento psiquiátrico e vivendo sob efeito de drogas controladas. A avó relata episódios de tentativas de suicídio e diz que hoje precisa cuidar constantemente da filha. “Ele só está dizendo que vai morrer, que vai se matar. Ele não aceita a morte do filho”, disse ela.

motivador do crime Segundo Regina, há suspeita de que o criminoso acreditasse que um de seus netos estivesse envolvido na morte do irmão. Porém, segundo ele, a investigação concluiu que o familiar nada teve a ver com o caso.

Ele afirma que Denar foi alvo de vingança. “Meu neto não teve nada a ver com isso”, disse ela.

Durante a entrevista, Regina também revelou que enfrentou problemas financeiros após a morte do marido. Segundo ele, o lava-rápido mantido pela família foi paralisado e a pensão atrasada.

“Se não fosse a ajuda de um e de outro, eu teria morrido de fome”, disse ele.

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