Poucos meses depois da turbulência desportiva e interna que abalou o clube de futebol Ariège, o FC Foix está novamente no centro dos debates, desta vez no âmbito da Câmara Municipal. Face às recentes demissões de vários dirigentes e às questões de governação e finanças do clube, a nova maioria autárquica decidiu suspender temporariamente parte da subvenção atribuída ao clube Fuxé, ou seja, 8.904 euros.
A situação do FC Foix, em Ariège, está a chamar a atenção, inclusive do município, após o anúncio da saída de vários dirigentes. Durante a assembleia municipal de 7 de maio, que foi parcialmente dedicada à votação dos subsídios às associações locais, a maioria municipal registou a suspensão temporária de parte do subsídio ao clube de futebol Fuxé, ou seja, 8.904 euros. Uma decisão adotada apesar da oposição dos dois grupos minoritários, Foix Cap 2032 e Foix en commune.
Como introdução aos debates, o autarca Jérôme Matéos justificou esta decisão com a situação atual do clube. “O FC Foix vive algumas convulsões neste momento. De forma serena, a sabedoria leva-nos a suspender temporariamente o pagamento desta segunda metade da subvenção, enquanto se aguardam elementos mais claros sobre a gestão e finanças do clube”, explicou.
“A ideia não é puni-los”
Posição apoiada pelo assistente desportivo Matthieu Latrille, que garante que quer acima de tudo preservar o clube. “É uma suspensão, a ideia não é puni-los. Nos preocupamos com o clube de futebol como nos preocupamos com todos os clubes desportivos da cidade”, insistiu. No entanto, o eleito evoca uma situação que se tornou “muito complicada” após vários despedimentos recentes no FC Foix. – Não queremos que este subsídio seja um tema que ultrapasse o âmbito desportivo, continua e especifica que em breve o município terá de se reunir com os dirigentes durante a assembleia geral do clube. “Esperamos poder votar esta concessão rapidamente.”
Esta decisão surge num contexto já tenso em torno do clube Fuxé, poucos meses depois da retumbante desistência da Coupe de France e das muitas tensões internas que abalaram a estrutura. Desde então, o FC Foix tem tentado reconstruir-se em torno de uma nova governação encarnada por Mohammed Slimani, nomeado diretor desportivo, e Abdelouahed Boulamjouj, responsável pelos seniores até ao final da temporada.
“Quando um clube está em dificuldades, deve poder contar com a Câmara Municipal”
Nas fileiras da oposição municipal, a decisão de acabar com o subsídio cai mal. Ex-assistente esportivo e agora eleito membro do grupo Foix Cap 2032, Fabien Guichou acredita que a mensagem enviada ao clube é contraproducente. “Podemos partilhar o diagnóstico: o FC Foix passou por dificuldades de gestão e uma recente onda de demissões. Mas colocar uma espada de Dâmocles na cabeça deste clube com a suspensão de uma subvenção é enviar uma mensagem negativa”, declarou.
Para Fabien Guichou, as dificuldades atuais são sobretudo um ciclo desportivo e humano. “Voluntários tentaram assumir o comando de um clube em grandes dificuldades. Existem divergências entre jogadores, professores e dirigentes, mas isso acontece em muitas federações.” E o eleito conclui: “Quando um clube está em dificuldades, deve poder contar com o apoio da Câmara Municipal e dos eleitos. Se houver dificuldades financeiras, não é impedindo um subsídio que o ajudaremos a encontrar oxigénio”.
“Não basta ter subsídio para ter estabilidade”
Uma análise que Matthieu Latrille não partilha totalmente. – A prova é que não basta ter subsídios para ter estabilidade, respondeu o assistente desportivo. “O FC Foix continua a ser um dos clubes mais ajudados pelo município. Mas o dinheiro não é tudo.”
Enquanto aguarda a assembleia geral e os esperados esclarecimentos sobre a gestão do clube, o FC Foix deve, portanto, proceder sem esta parte da subvenção municipal. Um forte sinal enviado pela nova maioria autárquica, num contexto em que o clube ainda tenta encontrar estabilidade, dentro e fora do campo.









