A casa de infância da falecida lenda do futebol argentino foi convertida num refeitório que serve as pessoas afetadas pelas medidas de austeridade do presidente Javier Milei.

Na rua Amazor, 523, em Fiorito, um subúrbio de Buenos Aires onde o “Garoto de Ouro” viveu na pobreza extrema enquanto crescia, os moradores agora podem receber assistência para alimentação e vestuário.

Este bairro de cerca de 50.000 moradores que vivem em modestas casas de tijolos apresenta vários murais que comemoram a carreira do icônico número 10, que faleceu em 2020 aos 60 anos.

Enquanto um julgamento por negligência criminal começa na terça-feira contra a equipe médica de sete membros responsável pelos cuidados finais de Maradona após uma cirurgia no cérebro, sua comunidade infantil continua seu legado de compaixão.

Vizinhos visitam a “casa do Diego” carregando recipientes que os voluntários enchem com ensopado de frango e outras refeições preparadas em grandes caldeirões no quintal, enquanto a música cumbia – gênero preferido de Maradona – toca ao fundo.

“Diego diria que há muita fome e que temos que ajudar, porque a necessidade é muito grande”, explicou Diego Gavilan, que beneficia dos serviços da cozinha.

Gavilan, que coleta papelão e sucata, começou a visitar o refeitório depois que Milei implementou reformas radicais de livre mercado após sua eleição em dezembro de 2023.

“Você não consegue sobreviver”, observou Gavilan.

Apesar das estatísticas mostrarem a redução da pobreza sob Milei, principalmente devido à diminuição da inflação, as finanças familiares continuam em crise, de acordo com relatórios do Banco Central. O aumento das importações e a queda do consumo resultaram no encerramento de mais de 20.000 empresas.

Gavilan agradece ter recebido assistência da antiga casa de Maradona: “Ele sofreu muita fome aqui quando criança. Para as pessoas do bairro receber um prato de comida é especial”.

A instalação funciona sem acomodações para refeições. Os voluntários preparam os alimentos em fogueiras no quintal, distribuindo-os em sacolas para quem aguarda na entrada.

Maradona frequentemente fazia referência às suas origens humildes em uma área sem água encanada ou ruas pavimentadas. Sessenta e seis anos após o seu nascimento, as dificuldades permanecem visíveis nos rostos daqueles que fazem fila para comer.

“As pessoas estão passando fome”, disse Maria Torres, uma das cozinheiras do centro, que acredita que Maradona aprovaria o reaproveitamento da casa de caridade da sua infância.

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