Varejo no MS cresceu 5,4% e superou a média brasileira
O consumidor finaliza a compra com o cartão em um estabelecimento comercial de Campo Grande. Vendas no varejo no Mato Grosso do Sul crescem acima da média nacional em 2026. (Foto: Arquivo)

O comércio de Mato Grosso do Sul impulsiona a economia do estado em 2026, desempenho que supera facilmente a média nacional. O último dado do termômetro do varejo divulgado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS) mostra que o crescimento acumulado do varejo entre janeiro e abril foi de 5,4%, três vezes superior ao 1,8% registrado no Brasil no mesmo período.

Segundo a FCDL-MS, o varejo em Mato Grosso do Sul cresceu 5,4% entre janeiro e abril de 2026, mais de três vezes a média nacional de 1,8%. A indústria cresceu 8% nesse período, quase cinco vezes mais rápido que no Brasil. Porém, a inflação de Campo Grande subiu para 4,3% em maio, o comércio perdeu 517 empregos formais e a inadimplência do consumidor chegou a 7%. As exportações totalizaram US$ 4,7 bilhões, um aumento de 8,6%.

O resultado é o fortalecimento da resiliência do consumo no estado, apoiado por um mercado de trabalho crescente, pela expansão industrial e pelo desempenho das exportações. Mas os números também revelam mudanças importantes no ambiente económico, com pressões inflacionistas, um abrandamento nos serviços e dificuldades contínuas na criação de empregos através do comércio.

A presidente da FCDL-MS, Ines Santiago, avalia que “as vendas no varejo estão crescendo acima da média nacional, mas alguns indicadores agora exigem mais atenção dos comerciantes”.

Apesar da queda de 2,5% em abril em relação a março, o setor varejista em expansão em Mato Grosso manteve um impulso positivo ao longo do ano. No retalho tradicional, o crescimento atingiu os 3%, muito acima dos 2% observados a nível nacional.

A inflação está de volta ao radar

O principal ponto de atenção destacado pela pesquisa é o comportamento dos preços.

Após registrar inflação acumulada de 2,1% nos 12 meses encerrados em fevereiro, o índice subiu 4,3% em maio em Campo Grande. Embora permaneça abaixo da média nacional de 4,7%, o movimento contraria a tendência recessiva observada nos meses anteriores.

Somente em maio, o IPCA da capital foi de 1,31%, puxado principalmente pelo grupo alimentação e bebidas, que registrou crescimento de 2,09%.

O aumento dos preços reflecte tanto os factores climáticos que afectam o abastecimento alimentar como o efeito indirecto dos aumentos dos preços dos combustíveis na cadeia de distribuição.

Os setores com maior crescimento acumulado em 12 meses foram vestuário (6,4%), habitação (6,3%), consumo pessoal (5,2%), educação (5%) e transportes (4,5%).

O aumento da inflação é preocupante, pois corrói o poder de compra das famílias e pode comprometer o ritmo de crescimento do consumo no segundo semestre.

O comércio no Sul de Mato Grosso continua registrando crescimento de vendas acima da média brasileira, mesmo com a inflação novamente pressionando os preços. (Foto: Arquivo)

Comércio em oposição ao emprego

Outro fato que chama a atenção é o desempenho do mercado de trabalho no setor.

Embora Mato Grosso do Sul tenha criado 14.527 empregos formais entre janeiro e abril, o comércio acumulou saldo negativo de 517 vagas no período.

Uma repetição da situação de Campo Grande. Enquanto a capital registou um saldo positivo de 2.685 empregos em 2026, o comércio perdeu 566 empregos. Somente em abril, o saldo geral da cidade ficou negativo em 285 vagas.

O contraste mostra que o crescimento das vendas não é suficiente para aumentar o emprego no setor, movimento ligado ao aumento da produtividade, à digitalização dos negócios e à vigilância dos empresários face às condições económicas.

A arte ocupa o centro das atenções

Se o comércio estiver forte, a indústria parece ser o destaque da economia sul-mato-grossense neste início de ano.

A produção industrial cresceu 8% entre janeiro e abril, quase cinco vezes superior à média do Brasil, que ficou em 1,7%.

O desempenho reflete a expansão das cadeias associadas à celulose, à proteína animal e ao processamento agroindustrial, setores que atraem investimentos e ampliam a capacidade produtiva do estado.

O setor de serviços está perdendo força. O crescimento acumulado foi de apenas 0,4%, inferior aos 2,2% registados a nível nacional.

Agro reduz expectativas, mas segue melhor que país

No terreno, as expectativas continuam positivas, embora menos optimistas do que no início do ano.

A estimativa do Produto de Valor Bruto (VBP) agropecuário de Mato Grosso do Sul foi revisada de 1,3% para 0,7% em 2026.

Esta queda reflete flutuações nos preços internacionais e ajustes nas estimativas de produção. Mesmo assim, o desempenho esperado continua superior ao cenário nacional, que projeta queda de 4,6%.

Sustentar atividades de exportação

Embora alguns indicadores internos mostrem desaceleração, o comércio exterior continua a servir como um dos principais motores da economia do estado.

Entre janeiro e maio, Mato Grosso do Sul exportou US$ 4,7 bilhões, um aumento de 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

A soja é o principal produto de exportação, respondendo por 38,8% das vendas externas. Em seguida vem a carne bovina, com 20,9%, e a celulose, com 18,2%.

O resultado reforça a diversificação da agenda exportadora e a consolidação do estado como um dos principais pólos agroindustriais do país.

Crédito cresce menos e inadimplência preocupa

Os dados do banco central também mostraram uma desaceleração na expansão do crédito.

Em abril, o financiamento para pessoa física aumentou 6,9% em relação ao mesmo mês de 2025. Entre empresas, a expansão foi de 14,4%.

Ao mesmo tempo, as taxas de incumprimento atingiram 7% entre os consumidores e 4,3% entre as empresas, indicando que as elevadas taxas de juro estão a pressionar os orçamentos das famílias e o fluxo de caixa das empresas.

O conjunto de indicadores mostra uma economia impulsionada pelo comércio, pela indústria e pelas exportações. Mas também mostra que os próximos meses serão marcados por desafios significativos, especialmente no controlo da inflação, na restauração do emprego no retalho e na manutenção do dinamismo do crescimento face a condições económicas mais desafiantes.

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