“Transformamos o golpe da vida em amor”

A irmã de Laura Rivero, assassinada junto com o filho Thiago em 2019, transformou a dor em uma luta coletiva. Hoje, acompanha mulheres que vivenciam situações de violência de gênero e familiares de vítimas que buscam justiça.

Há histórias que mudam vidas para sempre. Um dos Lauren Rio começou a se transformar em 3 de abril de 2019, quando sua irmã Laura Rio e seu sobrinho Thiago Foram assassinados num brutal feminicídio que chocou o partido Lomas de Zamora. Desde então, o luto tornou-se uma causa e a dor tornou-se uma ferramenta para ajudar os outros.

A sua presença é comum em mobilizações, marchas e julgamentos. Lá ele abraça, escuta e acompanha quem enfrenta um dos momentos mais difíceis de suas vidas. Ele também faz parte do coletivo “Mulheres cruzaram a cruz”uma sala composta por familiares de vítimas de diferentes partes do país.

Laura e seu filho foram mortos a facadas pelo companheiro, Marco Antônio Laserreque foi condenado em 2021 prisão perpétua por duplo crime. A família viu neste veredicto uma decisão exemplar, que lutava por justiça há quase dois anos. Em entrevista com Para vocêLauren reflete sobre uma luta que ainda é mais relevante do que nunca.

– O que significa para você o novo aniversário de Ni e Menos? Como você se sente sete anos depois do feminicídio que sua família sofreu?

– Para nós, como familiares, essas datas são muito mobilizadoras, nas quais rezamos pelas nossas vítimas e por todas as vítimas de feminicídio e sobreviventes da violência machista.
É muito difícil, ninguém espera sentir essa dor. Nossos familiares são condenados à prisão perpétua, ninguém nos devolve seus entes queridos.. Não há nada que nos devolva, não os temos mais. No meu caso ela era minha única irmã e sinto muita falta dela.

-Foram recentemente homenageados em Lomas de Zamora. Como você se lembra de sua irmã Laura? E Thiago, seu sobrinho?

– Foi muito emocionante, é um lugar que eles escolheram para se divertir. Eu e minha irmã bebíamos mate, o Tiago jogava bola, ele gostava de futebol, brincava com os irmãos. Minha irmã era lutadora, era trabalhadora, vivia para todos.. Sempre me lembro do primeiro Dia das Mães sem meu filho. Mathias Durándepois de um acidente de trânsito, ela me trouxe flores e passou a tarde comigo. Ela não me deixou sozinha, era muito boa com todo mundo. O Tiago também era muito gentil com todos na escola, seus colegas se lembram dele assim. Sentimos muita falta deles também.

Laura e seu filho, sempre presentes.
Laura Rivero foi homenageada com uma placa no campo onde participou com o filho Tiago.

-Como você se sente quando é noticiado o assassinato de jovens mulheres na Argentina? Você faz parte do coletivo “Atravesados ​​​​​​​​por el feminicídio”. Como é ingressar nesta organização?

– Nossas almas se partem quando pensamos nas famílias que vivenciaram o que aconteceu no dia 3 de abril de 2019. Fazer parte das vítimas é ter ao seu lado alguém que passou pela mesma coisa: eles sabem que sentimos uma dor indescritível, nos abraçamos e nos abraçamos para datas especiais no tribunal, às vezes perto por videochamada, uma pequena mensagem à distância. Estamos sempre presentes um para o outro, transformando em amor esse duro golpe que a vida nos deu..

Lorena Rivero continua exigindo justiça e memória para seus familiares.
Lorena faz parte do grupo “Atravesados ​​​​​​​​por el feminicídio”.

-Que políticas devem ser implementadas para combater este problema?

-Para erradicar os feminicídios, deve haver prevenção precoce, grupos de contenção, protecção eficaz das vítimas, sanções judiciais e reformas culturais, formação obrigatória aprofundada de procuradores e juízes de polícia. Além disso, o nexo de causalidade, um registo que mostra antecedentes criminais visíveis, proíbe penas reduzidas e benefícios para agressores, violadores e assassinos.

Mais de sete anos depois do feminicídio de Laura Rivero, a luta da irmã continua. Tornando-se voz de referência para muitas famílias, Lauren transformou uma tragédia pessoal em uma rede de apoio que busca evitar novas vítimas e manter viva a memória daqueles que não estão mais aqui..

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