O assassinato de Franco, um ativista, levantou questões sobre violência política e corrupção dentro do governo brasileiro.
Publicado em 26 de fevereiro de 2026
Um painel do Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiu condenar cinco homens acusados de planejar o assassinato em 2018 da líder de direitos humanos que se tornou política, Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes.
Os juízes do painel foram unânimes na decisão de quarta-feira, que marcou o clímax de um julgamento observado de perto que levantou questões sobre polarização, corrupção e raça na sociedade brasileira.
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“A justiça humana não é capaz de aliviar esta dor”, disse a juíza Carmen Lucia às famílias das vítimas, enquanto o tribunal proferia sentenças de décadas aos cinco réus.
Na época de sua morte, Franco, 38 anos, era vereadora na cidade do Rio de Janeiro, com apenas um ano de mandato. Ela foi considerada um membro promissor do Partido Socialismo e Liberdade, de esquerda.
Uma mulher negra das favelas – bairros densamente povoados e de baixa renda do Brasil – Franco era mais conhecida por fazer campanha pelos direitos das pessoas LGBTQ, das minorias raciais e das mulheres.
Ela também usou sua plataforma para denunciar a violência policial excessiva nas favelas, bem como as apropriações ilícitas de terras por parte das autoridades locais.
No dia 14 de março de 2018, após um debate noturno no Rio de Janeiro, um carro parou ao lado do veículo que transportava Franco e Gomes.
O agressor disparou 13 balas contra o veículo. Franco e Gomes morreram e um assessor que também viajava no veículo ficou ferido.
Os promotores classificaram o ataque como um assassinato, destinado a silenciar Franco e impedi-la de reagir contra interesses poderosos.
Na decisão de quarta-feira, os juízes do Supremo Tribunal concluíram que o ex-deputado Chiquinho Brazão e o seu irmão Domingos Brazão – vereador do Tribunal de Contas do Estado do Rio – conspiraram para assassinar Franco em resposta aos seus esforços para acabar com a apropriação ilegal de terras.
Os dois irmãos lucraram com os esforços para reivindicar terras públicas no Rio de Janeiro para desenvolvimento privado. Anteriormente, eles eram considerados um dos políticos mais poderosos da cidade.
Eles foram presos em 2024 e ambos foram condenados a 76 anos de prisão como parte da decisão de quarta-feira.
Longas penas de prisão também foram impostas a três de seus co-réus. Um deles, Robson Calixto Fonseca, era auxiliar dos irmãos Brazão e foi condenado a nove anos de prisão por formação de quadrilha.
Os outros dois eram agentes da lei. O ex-investigador policial Rivaldo Barbosa foi condenado a 18 anos de prisão por corrupção passiva e obstrução à justiça. O policial Ronald Paulo Alves Pereira foi condenado a 56 anos por condenações por homicídio e tentativa de homicídio.
Todos os cinco homens condenados na decisão de quarta-feira negaram a responsabilidade pelo crime.
Os promotores creditaram as informações dos dois homens que realizaram o ataque por revelarem o envolvimento de seus cinco supostos co-conspiradores.
Esses suspeitos foram previamente identificados como dois ex-policiais, Ronnie Lessa e Elcio Queiroz. Eles foram presos em 2019, acusados de serem os autores do duplo homicídio.
Os dois homens acabaram assinando acordos de confissão que levaram à prisão dos irmãos Brazão, segundo os promotores. Lessa e Queiroz foram condenados a 78 e 59 anos de prisão em outubro de 2024, respetivamente.
As autoridades também indicaram que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que voltou à presidência em 2023, abriu caminho para o prosseguimento de uma investigação mais ampla.
Ao anunciar seu voto na quarta-feira, o ministro Alexandre de Moraes descreveu os assassinatos como parte de um “modus operandi miliciano”, realizado “para preservar ganhos financeiros e manter o poder político”.
O grupo de direitos humanos Anistia Internacional, por sua vez, classificou as audiências desta semana como um “teste decisivo” da “disposição do Brasil para enfrentar a impunidade”.

