Regularização fundiária do progresso da comunidade Lolita

Localizada na Av Duque de Caxias é o entroncamento entre a prefeitura, o sindicato e terrenos particulares

Parte dos moradores participa de reunião em Semades (Pedro Roque/Assessoria).

Reunião realizada na manhã de hoje (1º) com famílias da comunidade Lolita, que ocupam a faixa de domínio da Avenida Duque de Caxias, em Campo Grande, decidiu que elas permanecerão no local e cadastrarão as casas no MHA (Agência Municipal de Habitação) para que seja iniciado o processo de regularização fundiária.

As famílias da comunidade Lolita, que ocupa a estrada à direita da Avenida Duque de Caxias, em Campo Grande, poderão permanecer lá enquanto se inicia o processo de regularização fundiária. O MHA registrará 57 casas. Segundo o vereador Marco Ríos, a área de responsabilidade do DNIT é dividida entre municípios, iniciativa privada e sindicatos, o que complica o processo, que disponibilizou um advogado para mediar o diálogo com a Prefeitura.

Segundo o vereador Marcos Rios (PT) o processo será complicado. Ele colocou um advogado à disposição para ajudar os moradores e mediou o diálogo com a Prefeitura, representada pelo titular da Cemades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico), Ademar Silva Jr.

“Essa área é complexa, porque uma parte é do município, outra parte é privada e outra parte é do sindicato, de responsabilidade do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Trânsito). Então, estamos trabalhando com três áreas distintas”, disse.

A imagem mostra a localização da comunidade. (Foto: Reprodução)

O deputado lembrou que a definição da titularidade das áreas ocupadas ilegalmente é da responsabilidade da Câmara Municipal. “Esse processo está começando agora e tem como principal objetivo tirar essas famílias do invisível. O município foi acionado pelo Ministério Público e a partir da reunião de hoje pudemos entender melhor o andamento dessa obra e os próximos passos”, acrescentou.

Ainda segundo a Landmark, os funcionários devem visitar as casas para “lacração”, que é o cadastro das residências existentes e dos moradores que ali moram.

Inclusive, foi solicitado para a família um CEP (Código de Endereçamento Postal) ao órgão responsável em Brasília (DF), acrescentou o vereador.

Vereador Marco Rios fala aos jornalistas após reunião (Foto: Clara Farias)

No dia 23 de junho, as famílias foram orientadas a partir em até cinco dias. O prazo expirou. Marco explicou que a prefeitura disponibilizou os autos porque era uma obrigação legal, mas todos eles poderiam permanecer durante o processo de regularização.

Mais de 20 anos – A comunidade é formada por 57 famílias, algumas morando na região há mais de duas décadas. As moradoras Heloiza Fernandes, 40 anos, e Rosalie Fernandes, 58 anos, falaram aos jornalistas após o encontro.

O primeiro morou na comunidade por 11 anos. Ele disse que se sentia calmo.

A moradora Heloiza disse que o encontro a tranquilizou (Foto: Clara Farias)

“Satisfeitos, muito satisfeitos, não vamos embora. Ainda não tivemos a resposta que esperávamos. Mas estamos tranquilos, porque agora temos apoio. Antes não tínhamos nenhum tipo de apoio”, disse Heloiza Fernandes.

Heloiza disse ainda que receber a notificação da Prefeitura foi um grande choque. “Eu nem estava em casa naquele dia. A semana toda eles andaram pela comunidade tirando fotos e depois começaram a avisar. Algumas famílias foram avisadas primeiro e depois voltaram para avisar quem ainda não tinha recebido. Foi um choque para todos, principalmente porque o prazo para evacuar suas casas era de apenas cinco dias”, concluiu.

Rosalie Fernandes mora na comunidade há cerca de 12 anos. Anteriormente, ele morava em um acampamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Ele diz que comprou um lote de Lolita por R$ 1 mil. “Construí minha casa e moro lá desde então. Trouxe toda a minha família. Tenho sete filhos e 11 netos e todos fazem parte da minha vida lá”, detalhou.

Rosalie vive da profissão com toda a família (Foto: Clara Farias)

Ele acredita que a regularização proporcionará a paz que ele espera há anos. “Quero que controlem para que possamos dormir tranquilos com os dois pés na cama sem medo de sermos acordados. Esse é o único lugar para mim”, finalizou.

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