Salvador Arruda foi condenado em março deste ano, num processo que tramita sob sigilo
O ginecologista e ex-diretor do hospital regional, defesa de Salvador Walter Lopes Arruda, apresentou manifestação pedindo o reconhecimento da pena de prisão de um ano e dez meses imposta ao médico por assédio sexual. O processo, que tramita em sigilo, refere-se a um caso ocorrido em 2020.
Foi a primeira condenação do médico, que já enfrentou pelo menos dois processos na Justiça de Campo Grande.
A defesa do ginecologista Salvador Walter López Arruda, cujo registro foi cassado pelo CFM em 2024, buscou o reconhecimento da prescrição da pena de prisão de um ano e dez meses por assédio sexual, citando um caso de 2020. Médicos de Campo Grande responderam a outros dois casos envolvendo insultos raciais, comentários sexuais e supostos erros médicos em uma cirurgia realizada em 2013.
Em decisão publicada no Diário da Justiça de 30 de março deste ano, a condenação foi mantida pela 1ª Vara Criminal de Competência Residual pelo juiz Roberto Ferreira Filho.
O advogado Ewerton Bellinati apresentou a manifestação, após ser intimado pelo juiz, “sobre a possível ocorrência de pedido punitivo pela pena aplicada”.
Segundo o advogado, os fatores que podem levar à prescrição são a idade, a duração da pena, a data de abertura do processo e os fatores suspensivos previstos no artigo 116.º do Código Penal.
A defesa sustentou que não havia possibilidade legal de suspensão da prescrição prevista no artigo 116 do CP (Código Penal) e, portanto, a contagem teria prosseguido normalmente até a determinação da pena. De acordo com a tese apresentada, não existirá neste processo nenhuma das circunstâncias previstas na lei capazes de interromper temporariamente o curso do prazo.
Se condenado, Arruda enfrentará pelo menos outros dois casos. Um deles, em 10 de novembro de 2023 na 16ª Vara Cível de Campo Grande, pede R$ 100 mil de indenização contra o médico e a Associação Santa Rita de Caccia. Na ação, ela disse que foi submetida a insultos raciais, comentários sobre seu corpo e linguagem machista durante consulta ginecológica realizada em julho de 2020.
De acordo com a ação, o médico disse que os exames da paciente eram de uma “clínica de merda”, disse que ela “poderia explodir porque é muito gorda” e comentou sobre sua vida sexual, inclusive que ela seria “boa de cama”. O autor afirmou ainda que ouviu de profissionais que suas reclamações eram “mania negra”.
O outro processo foi ajuizado em 24 de outubro de 2023 como ação de indenização por danos morais na 9ª Vara Cível de Campo Grande contra o Doutor Salvador Walter López de Arruda e a Associação Beneficente Santa Casa. Ele pede sentença de R$ 80 mil por suposto erro médico ocorrido durante uma cirurgia em 2013, alegando que o procedimento o deixou com incontinência urinária permanente e infecções recorrentes.
Na ação, o paciente afirma que precisou passar por outra cirurgia, mas que, segundo ele, o impediu de voltar ao trabalho e comprometeu sua rotina. A ação também afirma que outro médico o informou sobre o potencial fracasso do procedimento original.
A última movimentação relevante dos autos data de abril de 2024, quando o juiz Mauricio Petrauschi ordenou a citação dos réus, concedeu justiça gratuita ao autor e deixou o pedido de inversão do ônus da prova para análise na fase de saneamento do processo.
votado – Em 2024, o CFM (Conselho Federal de Medicina) cassou o registro profissional de Arruda por violar cinco artigos do Código de Ética Médica. O aviso de penalidade foi publicado no Diário Oficial da União em 27 de julho daquele ano e informava que a revogação foi resultado de recurso pendente no Tribunal Pleno de Ética Médica em 19 de junho de 2024.
O advogado disse ao Campo Grande News que está analisando o ordenamento jurídico para reverter a decisão.










