O secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, reuniu-se com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, em Caracas, como parte de um esforço do presidente dos EUA, Donald Trump, para aumentar a produção de petróleo e minerais no país sul-americano.
Na quarta-feira, a reunião culminou com o anúncio de que Rodriguez apresentaria uma proposta para reformar as leis de mineração da Venezuela ao legislativo do país nos próximos dias.
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Burgum também expressou optimismo de que as relações económicas entre os EUA e a Venezuela continuariam a estreitar-se.
“As oportunidades de colaboração e sinergia entre os nossos dois grandes países, a Venezuela e os Estados Unidos, são ilimitadas”, disse ele.
Ele acrescentou que foi acompanhado em sua viagem de dois dias por representantes de quase uma dúzia de empresas que buscam acesso ao petróleo e aos minerais da Venezuela.
“Eles estão ansiosos para começar e para reduzir a burocracia para permitir o fluxo do investimento de capital”, disse Burgum.
Reivindicando recursos venezuelanos
Os crescentes laços económicos entre a Venezuela e os EUA surgem na sequência de uma operação militar realizada em 3 de janeiro para raptar e prender o antigo líder da Venezuela, Nicolás Maduro.
A operação militar foi criticada como uma violação da soberania venezuelana. Especialistas das Nações Unidas, por exemplo, descreveram o incidente como uma “violação grave, manifesta e deliberada dos princípios mais fundamentais do direito internacional”.
Mas nos meses que se seguiram ao ataque militar, a administração Trump procurou dar às empresas privadas maior acesso aos recursos naturais da Venezuela, alguns dos quais foram nacionalizados.
O próprio Trump afirmou que os EUA têm direito ao petróleo venezuelano, como resultado da exploração petrolífera precoce no país. Ele chamou o impulso de nacionalização na Venezuela de “o maior roubo da história da América”.
A Venezuela não só possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, mas também depósitos substanciais de ouro, cobre, diamantes, coltan e outros minerais.
Burgum reconheceu a riqueza de recursos em seus comentários na quarta-feira.
“A Venezuela é um país rico, rico, repleto de recursos de petróleo e gás, mas também rico em minerais essenciais”, acrescentou.
Colaboração ou exploração?
Mas os críticos questionam se os EUA estão a explorar a Venezuela para obter ganhos económicos próprios.
O direito internacional, por exemplo, estabeleceu que cada país tem soberania permanente sobre as suas “riquezas e recursos naturais”. As violações desse princípio, nos termos da lei, constituem uma violação do direito à autodeterminação.
Os defensores também apontaram que a administração Rodriguez tem enfrentado ameaças de Trump para agir de acordo com os seus desejos.
Numa entrevista à revista The Atlantic em Janeiro, por exemplo, Trump alertou que se Rodriguez “não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”.
Já no final de Janeiro, Rodriguez sancionou uma reforma para expandir o investimento privado na indústria petrolífera controlada pelo Estado da Venezuela, satisfazendo uma das principais exigências de Trump.
O seu governo também transferiu pelo menos 50 milhões de barris de petróleo venezuelano para a administração Trump vender, com o próprio Trump a controlar a forma como os rendimentos são distribuídos.
Trump tem sido um defensor vocal do uso de combustíveis fósseis, tendo chamado as alterações climáticas de “farsa” e “fraude”.
Ele também elogiou Rodriguez pela sua cooperação, citando a sua administração como um modelo para outros governos, incluindo o do Irão.
Em uma mídia social publicar na quarta-feira, Trump reiterou sua satisfação com o desempenho profissional de Rodriguez até agora.
“Delcy Rodriguez, que é a presidente da Venezuela, está fazendo um ótimo trabalho e trabalhando muito bem com os representantes dos EUA”, escreveu Trump.
“O petróleo está começando a fluir e o profissionalismo e dedicação entre os dois países é algo muito bom de se ver.”
A missão diplomática dos EUA na Venezuela, entretanto, caracterizado A visita de dois dias de Burgum como um “passo vital e histórico” num “plano de três fases” para beneficiar ambos os países.
Observou que os EUA e a Venezuela “trabalhariam para um setor mineiro legítimo e cadeias de abastecimento minerais críticas e seguras”.
Devido às más condições económicas na Venezuela, desenvolveu-se um sector mineiro informal, carente de supervisão e regulamentação. Isso pode tornar as condições de trabalho traiçoeiras. Ainda em Outubro passado, fortes chuvas causaram o colapso de uma mina de ouro, matando 14 pessoas.
