Governadores, gestores e bancada federal se reúnem para ouvir reivindicações municipais em jantar em Brasília
O governador Eduardo Riedel (PP) disse nesta quarta-feira (20) que a principal preocupação apresentada pelos prefeitos de Mato Grosso do Sul durante a XXVII Marcha em Brasília em defesa do município está relacionada ao impacto financeiro causado pela proposta de criação e reestruturação do piso salarial, questão que está unindo gestores municipais de todo o país diante da pressão para aumentar os orçamentos locais.
O governador Eduardo Riedel disse que a principal preocupação dos prefeitos de Mato Grosso do Sul durante a Marcha a Brasília na defesa municipal é o impacto financeiro dos níveis salariais nos orçamentos locais. A CNM estima que os 16 projetos em tramitação no Congresso poderão custar aos municípios R$ 295 bilhões. O estado participa com cerca de 40 prefeitos organizados pela Assomasul.
A afirmação foi feita durante a inauguração do estacionamento Alem (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) ao comentar a agenda completa na capital federal. Riedel participou de um jantar com os prefeitos de Mato Grosso do Sul na noite desta terça-feira (19) promovido pelo presidente da Assomasul e pelo prefeito de Itaquiraí, Thalles Tomazelli. O encontro, realizado na churrascaria Sal & Brasa, em Brasília, também reuniu membros da bancada federal do estado.
Segundo o governador, o debate com os autarcas mostra que a preocupação central da organização municipal este ano está ligada à capacidade financeira da administração municipal face ao andamento dos projectos que aumentam as despesas obrigatórias.
“Sobre o Brasil, a gente foi cumprir alguma agenda, teve passeata, os prefeitos têm passeata. Acho que a pauta principal, aquela que falei com o presidente da Asomasul, tivemos um jantar à noite que ele organizou junto com a bancada para o prefeito e o presidente, a agenda principal deles é negociar com o aumento salarial ou não influenciar no piso dessa negociação.
A preocupação mencionada pelo governador está no centro da agenda da Marcha dos Prefeitos deste ano. Organizado pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios), este evento reúne mais de 15 mil gestores públicos de Brasília e tem como tema “O Brasil que funciona nasce nos municípios”, tendo como foco principal as dificuldades de financiamento enfrentadas pelas administrações locais.
Segundo a CNM, existem atualmente 16 projetos em tramitação no Congresso Nacional que poderão gerar um impacto estimado em cerca de R$ 295 bilhões nos municípios brasileiros. A maioria das propostas envolve a criação de novos pisos salariais, a expansão dos direitos e o aumento das despesas fixas com saúde, educação e assistência social.
Entre os assuntos mais sensíveis está a discussão no plenário nacional de ensino. A Medida Provisória 1.334/2026, em análise no Congresso, altera a fórmula de reajuste docente e prevê o reajuste da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) com a parcela do crescimento real das receitas do Fundeb.
Pela proposta do governo federal, o piso passará dos atuais R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63 em 2026. Porém, o impasse está no financiamento. Enquanto o sindicato calculou o impacto em R$ 6,4 bilhões, os entes municipais estimaram o custo para o município em cerca de R$ 8 bilhões e defenderam o aumento da participação federal nos custos.
Além de lecionar, os diretores supervisionam projetos preocupantes que criam pisos para médicos, dentistas, assistentes sociais e outros departamentos do serviço público.
Outra matéria de forte influência é a proposta que regulamenta a aposentadoria especial dos trabalhadores locais de saúde e agentes de combate às endemias, já aprovada no Senado e pendente de análise na Câmara dos Deputados. O impacto estimado pelas entidades municipais atingiu R$ 103 bilhões em um ano.
Também estão no radar dos prefeitos discussões sobre a redução do horário de atendimento público e o fim da escala 6×1, medidas que, segundo estimativas apresentadas pelas entidades, poderão gerar um impacto de R$ 46,4 bilhões na gestão municipal.
A estratégia defendida pelo movimento municipalista é evitar sancionar ações sem fontes prévias de financiamento e ampliar mecanismos de compensação financeira por parte dos sindicatos.
Os prefeitos exigiram mudanças na distribuição dos recursos federais, incluindo a separação das emendas parlamentares das transferências obrigatórias do SUS e a criação de um fundo de equalização e compensação para os municípios que recebem algumas transferências discricionárias.
A proposta apresentada pelas organizações prevê que o fundo seja dotado de 3% das transferências não obrigatórias da União e seja direcionado para cidades com menor capacidade financeira.
Mato Grosso do Sul participou da solidariedade nacional com uma delegação de cerca de 40 prefeitos organizada pela Asomasul. Para o presidente da entidade, as negociações de Brasília impactam diretamente na capacidade de investimento e prestação de serviços dos municípios.
“Já estamos aqui em Brasília, uns 40 prefeitos do estado, a Assomasul se organizou, para nos trazer agendas e demandas que são prioritárias na gestão pública, essas agendas do eixo saúde, do eixo financeiro, que nos dão o controle e podemos levar ao desenvolvimento da sociedade.
O presidente da Asomasul destacou ainda que as agendas discutidas durante a marcha vão além do ambiente administrativo e afetam diretamente a população.
“Vamos trabalhar aqui com agendas municipais, protegidas pela CNM, pautas no Congresso, que inclusive são protegidas pela Presidência da República e que afetam direta ou indiretamente a vida de cada cidadão residente em nosso município”, completou.
A programação da marcha segue até quinta-feira (21), priorizando reforma tributária, reforma administrativa, municipalização do SUS, educação em tempo integral, saneamento, consórcios públicos, emergência climática e equilíbrio financeiro, aumento de responsabilidades nas prefeituras e reivindicações dos gestores municipais diante da limitação de receitas.










