Justiça permite que Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa seja colocado em prisão domiciliar por motivos de saúde

Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, conhecido como “Peteca”, na delegacia após sua prisão no dia 12 (Foto: Bruna Marques/Arquivo)

Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, conhecido como “Peteca”, será libertado da prisão em prisão domiciliar por decisão de um tribunal de Mato Grosso do Sul. Ele é um dos investigados na Operação “Buraco Sem Fim”, que apura supostas irregularidades no contrato de manutenção de estradas asfálticas de Campo Grande.

Antonio Roberto Pedrosa, o “Peteca”, investigado na Operação Buraco Sem Fim, sairá da prisão preventiva e cumprirá prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. O juiz acatou o pedido devido ao estado de saúde do sujeito de 70 anos, portador de nefropatia e diabetes crônica. Campo Grande é suspeito de ser sócio silencioso de uma construtora com contrato no valor de R$ 113,7 milhões.

Para a juíza May Melke Amaral Pentedo Serravegna, da Central de Garantia, embora haja “sinais concretos” da participação do suspeito no projeto investigado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) Gecoc, a situação sanitária apresentou justificativa para impedir a substituição da prisão.

Na decisão, o juiz disse que havia elementos que indicavam que a “Peteca” agia como “sócia oculta” da Construtora Real Limited. “Há indícios concretos de que o peticionário atua como sócio oculto da Construtora Rial Ltda., exercendo controle direto sobre as atividades da empresa”, diz citação da decisão.

O juiz, porém, citou os problemas de saúde do suspeito de 70 anos. Segundo a decisão, documentos médicos indicavam que ele sofria de nefropatia e diabetes crônica, o que exigia acompanhamento frequente. “O requerente apresenta um estado de saúde complexo e uma vulnerabilidade grave”, escreveu May Melke.

A decisão também destacou que as condições de saúde eram “incompatíveis com o sistema prisional” e referiu-se ao entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a instabilidade estrutural das unidades prisionais brasileiras.

No despacho, o juiz disse ainda que “a prisão domiciliar não configura impunidade, principalmente quando combinada com outras medidas cautelares”.

Apesar da substituição da prisão preventiva, o tribunal determinou medidas cautelares. Antonio Roberto deverá usar tornozeleira eletrônica por 180 dias, entregar o passaporte e só sair de casa mediante autorização médica, emergencial ou judicial. Ele também está proibido de entrar em contato com outros investigadores e testemunhas.

Com a decisão tomada ainda em período judicial, ainda não há previsão de quando será cumprida a autorização de soltura.

Quem é? – A investigação indica que Antonio Roberto será o verdadeiro responsável pelas decisões da empresa, mesmo estando oficialmente registrada em nome de seu filho e esposa. Durante a operação, Antonio Roberto e seu filho, Antonio Bittencourt Jake Pedrosa, sócio-diretor da construtora, foram presos.

Ainda segundo a investigação, R$ 233 mil dos R$ 429 mil em dinheiro apreendidos na operação foram encontrados na casa de “Peteca”.

A Construtora Real foi alvo do “Buraco Sem Fim” por apresentar contratos e aditivos no valor de R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025.

A defesa de Antonio Roberto e seu filho, composta pelos advogados William Maqsood Machado e Ricardo Machado, disse que não comentaria os detalhes do processo porque o caso tramita de forma sigilosa. “Demonstraremos a inocência de ambos durante a investigação sistemática”, declarou Ricardo no relatório.

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