Especialistas dizem que documentos recentemente divulgados mostram a necessidade de uma investigação independente sobre a rede de tráfico sexual de Epstein.

Um grupo de especialistas das Nações Unidas sugeriu que os abusos cometidos pelo criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein poderiam enquadrar-se na definição de crimes contra a humanidade.

Na terça-feira, os especialistas independentes nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU (UNHRC) divulgaram um declaração em resposta aos milhões de arquivos divulgados pelo governo dos Estados Unidos relacionados a investigações criminais sobre Epstein.

Histórias recomendadas

lista de 3 itensfim da lista

Explicaram que os registos contam uma história de desumanização, racismo e corrupção.

“Tão graves são a escala, a natureza, o carácter sistemático e o alcance transnacional destas atrocidades contra mulheres e raparigas, que algumas delas podem razoavelmente atingir o limiar legal de crimes contra a humanidade”, escreveram os especialistas.

O painel do UNHRC apelou a uma investigação sobre as alegações em torno de Epstein e dos seus associados, que incluem figuras proeminentes na política, negócios, ciência e cultura globais.

Acrescentaram que as revelações dos ficheiros sugerem uma “empresa criminosa global”.

“Todas as alegações contidas nos ‘Arquivos Epstein’ são de natureza flagrante e requerem investigação independente, completa e imparcial, bem como inquéritos para determinar como tais crimes puderam ter ocorrido durante tanto tempo”, disseram os especialistas.

A última condenação segue-se à divulgação, em 30 de janeiro, de 3,5 milhões de páginas de arquivos dos registros do governo dos EUA sobre Epstein.

Os arquivos deveriam ser divulgados como parte da Lei de Transparência de Arquivos Epstein, uma legislação bipartidária sancionada em novembro.

A lei deu ao governo dos EUA 30 dias para publicar todos os seus documentos relacionados com Epstein num formato pesquisável, ocultando informações apenas para proteger a privacidade das vítimas.

Mas o prazo de 30 dias chegou e passou, com a liberação apenas parcial dos arquivos. Mesmo a publicação de 30 de Janeiro foi criticada como incompleta, com relatórios indicando que poderia haver mais de 6 milhões de ficheiros na posse do governo.

Os documentos recém-divulgados revelaram novos detalhes sobre as relações de Epstein com figuras influentes, mas poucos foram responsabilizados.

Os críticos argumentaram que o próprio Epstein enfrentou escassas consequências legais pelos crimes sexuais que perpetuou. Ele chegou a um acordo judicial na Flórida em 2008, no qual se declarou culpado de solicitar uma criança para prostituição e tráfico sexual, mas cumpriu apenas 13 meses de prisão.

Ele estava preso em 2019, enfrentando acusações federais, quando morreu por suicídio em sua cela.

A ex-namorada de Epstein, Ghislaine Maxwell, foi condenada a mais de 20 anos por seu papel no esquema de tráfico sexual.

Na declaração de terça-feira, os especialistas do painel da ONU criticaram as pesadas redações nos arquivos de Epstein que parecem proteger as identidades de figuras poderosas.

“A relutância em divulgar totalmente as informações ou ampliar as investigações deixou muitos sobreviventes sentindo-se novamente traumatizados e sujeitos ao que descrevem como ‘ilusão institucional’”, disseram os especialistas da ONU.

As suas críticas ecoam acusações semelhantes nos EUA. Os legisladores argumentaram que a administração do presidente Donald Trump, um antigo amigo de Epstein, desafiou a lei de novembro ao redigir documentos além das diretrizes estabelecidas pelo Congresso.

Os especialistas também observaram que parecia haver “redações malfeitas que expuseram informações confidenciais das vítimas”. Acrescentaram que é preciso fazer mais para garantir justiça aos sobreviventes.

“Qualquer sugestão de que é hora de abandonar os ‘arquivos Epstein’ é inaceitável. Representa uma falta de responsabilidade para com as vítimas”, afirmaram.

Source link

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui