Os Sinos de Campo Grande: História, Tradições e Curiosidades

A Freguesia de São Francisco de Assis é a mais pesada das três, mas não a mais antiga

Os sinos e um cinto da freguesia de São Francisco são acionados para tocar automaticamente (Foto: João Carlos Barboeno)

O sino ainda toca em Campo Grande, mas não como antes. Agora, a maioria é automática e você nem precisa apertar um botão. A tradição mantém-se viva tocando na igreja: para anunciar que a missa está prestes a começar, para lembrar que o dia está dividido em três momentos e que algo extraordinário aconteceu no mundo religioso, como a eleição de um novo papa ou a morte de um membro importante da comunidade.

Os sinos das igrejas continuam tocando em Campo Grande, mas com tecnologia moderna. Na Paróquia São Francisco de Assis, três sinos de cobre instalados na década de 1950 são controlados por um aplicativo. Em São José, quatro sinos tocam ao mesmo tempo. No Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro os sons são reproduzidos por alto-falantes. Os toques comunicam eventos públicos e religiosos, mas as reclamações dos residentes levaram as igrejas a ajustar os horários dos toques.

Os três gigantes de cobre da Freguesia de São Francisco de Assis foram construídos na década de 1950 e estão entre os mais antigos da cidade. O maior pesa mais de meia tonelada e é o mais imponente da capital. Você não pode vê-los de frente ou de dentro da câmara do óculo (o buraco no teto para acesso à torre onde está o relógio). Para ver, manusear ou limpar basta subir uma escada.

Situadas numa torre praticamente toda fechada na Freguesia de São José, não é possível avistá-las do exterior ou sem escadas. São quatro, o mais pesado pesando 350 kg. Eles foram instalados em São Francisco na mesma época.

Fica dentro da torre sineira com uma cruz no topo que toca os sinos de São Francisco (Foto: Cascia Modena)
Nos bastidores, os sinos do Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro não tocam mais (Foto: Juliano Almeida)

Os quatro do Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro podem ter começado a jogar um pouco antes dos dois parisienses. Segundo Padre Reginaldo Padilha, eles datam da construção da igreja em 1941. Porém, há anos não tocam. A palavra é Falso, vindo do alto-falante próximo à campainha. Eles são visíveis do lado de fora da torre sineira, mas atrás de uma tela que impede a entrada de pássaros.

Outras igrejas com sinos são a Paróquia São Sebastião e a Paróquia Santa Luzia. Posteriormente, os próprios curadores pagaram para instalar uma campainha e o sistema automático para ativá-la. Foi instalado há cerca de seis anos e pode ser o mais novo de Campo Grande.

É chato ou não? – As pessoas acham lindos os sinos da freguesia de São Francisco. O pároco, frei Pedro Renato Pereira da Silva, ficou surpreso ao ser confirmado com um padre. “Ele fez um elogio. Disse que o filho dele, ainda criança, sempre parava na nossa frente para ouvir a campainha. Saíam quando ela terminava de tocar”, disse.

O maior sino da Paróquia São José pesa 350 kg (Foto: Prakash/Igreja)

Mas como nada nem ninguém consegue agradar a todos, o sino já virou alvo de reclamações. “Houve um tempo em que alguns tentavam silenciar”, lembra Frei Maicon Custódio, que foi membro da Fraternidade de São Francisco de Assis por três anos e hoje mora em Belo Horizonte (MG).

Não que eles estivessem desafinados. Freer explica que os sinos são afinados após o lançamento e não requerem nova afinação. O problema enfrentado pela freguesia até ao ano passado era a dessincronização. Às vezes, uma das três ligações atrasa. O atraso foi solucionado por meio de um aplicativo desenvolvido e programado pelos eletricistas João Carlos Barboeno e Ivan Garcia.

O verdadeiro incômodo na vizinhança era que a campainha tocava cedo demais. O secretário da igreja, João Carlos de Asis, explicou que isso foi resolvido com uma mudança. As badaladas das 17h30 e 17h45 foram suspensas. A primeira acontece às 6h.

O painel que controla o ajuste do relógio São Francisco (Foto: João Carlos Barboeno)
Interface do aplicativo desenvolvida para toque de sinos de igrejas (Imagem: Reprodução)

A maioria das pessoas não se importa, acredita o secretário. “Muita gente toca a campainha. Quando toca porque mexeram no sistema para consertar alguma coisa, ligam aqui para saber o que aconteceu, se alguém morre”, relata.

A dona de casa católica Angela Maria de Oliveira Costa, 51 anos, começa o dia tocando o sino da paróquia de Santa Luzia. O toque não o incomoda, pelo contrário, o ajuda a lembrar que mais um dia está começando. Um significado especial é a lembrança de quando ele próprio tocava os sinos da comunidade de Nossa Senhora do Rosário no território da comunidade de Tia Eva.

“Minha família veio de Rondônia e morou nesta igreja por cinco anos, onde meu pai era superintendente. Naquela época, eu era adolescente e era responsável por montar o altar e tocar o sino durante a celebração. lembrar

O sino da Paróquia São Luzia pode ser o mais novo de Campo Grande e foi instalado a pedido da comunidade (Foto: Cassia Modena)

O marido de Ângela Maria, o bombeiro aposentado Silvio Lucas Costa, 50, relembrou uma história que ouviu no Corpo de Bombeiros. “Antigamente, quando não havia telefone, para anunciar um incêndio na cidade, as pessoas tocavam o sino da igreja para dizer que precisavam de ajuda. Foi durante o período colonial no Brasil”, diz ele.

Nestor Lemes Barbosa, 83 anos, empresário que trabalha virtualmente em um escritório próximo à Paróquia São José, confirmou que o som não é agudo e não o incomoda. “Quando trabalho, às vezes nem consigo ouvir”, diz ele.

Eles têm nomes e significados – O sino da Igreja Nossa Senhora do Carmo, em São João del Rey (MG), leva o nome de Elias, famoso pelo poema inspirador de Carlos Drummond de Andrade.

A bênção dos sinos de São Francisco de Asis está registrada em livro guardado na Secretaria (Foto: Cassia Modena)

Os da paróquia de São Francisco são chamados de São Francisco “da Paz” (homenagem ao arcebispo auxiliar de Coromba que o abençoou, Dom Ladislau Paz), Santo Antônio “da Proteção” (homenagem ao padroeiro da capital) e Nossa Senhora da Imaculada Conceição.

Os da paróquia de São José são São José (350 kg), Nossa Senhora Auxiliadora (250 kg), São João Bosco (150 kg) e Papa João XXIII (75 kg).

Frei Pedro Renato Pereira da Silva enfatizou que o trabalho desse instrumento de percussão no topo de uma igreja é mais do que um alerta sobre algo. Para a Igreja, eles são sagrados.

Frei Pedro Renato Pereira da Silva fala sobre dinheiro (Foto: Cascia Modena)

“No início, eles próprios tocavam os sinos nos principais horários do dia: manhã, meio-dia e final de tarde. Além do convite para a Santa Missa, são uma lembrança de Deus.

Até os idosos – A primeira capela de Campo Grande foi construída em 1877 pelo fundador da cidade, José Antonio Pereira. Embora simples, feito de barro e coberto de palha, possuía um elaborado sino de ferro. O material foi citado em artigo acadêmico apresentado no XXIII Simpósio Nacional de História.

Um dos últimos edifícios construídos no local tinha duas torres sineiras e foi demolido em 1970 devido a problemas estruturais. Segundo Padre Wagner Divino tinha sinos. Ordenou a Abadia de Nossa Senhora e a Catedral de Santo Antônio de Pádua, localizadas no mesmo terreno da atual capela.

Paróquia São Francisco de Assis durante a construção na década de 1950 (Foto: Arquivo da Igreja)

Outro antigo templo religioso e patrimônio histórico da capital é a capela construída por Eva Maria de Jesus da comunidade Tia Eva. Inicialmente foi construído em madeira e em 1919, reconstruído em alvenaria. No edifício existe um pequeno sino que aguarda a conclusão das obras de restauro para voltar ao seu lugar.

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