A proposta do Brasil

A questão deverá chegar ao auge na próxima semana, quando a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) realizar a sua 20ª reunião.

Restrições elevadas ao pau-brasil estão programadas para serem votadas na conferência.

Desde 1998, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou a árvore como ameaçada de extinção.

Mas um proposta de autoria do governo brasileiro aumentaria as proteções da CITES para o pau-brasil, colocando-o no nível mais alto de restrições comerciais.

A CITES regula o comércio internacional de espécies ameaçadas de extinção e classifica animais e plantas em três apêndices.

A terceira é a menos restritiva: se uma espécie estiver ameaçada num determinado país, serão exigidas licenças de exportação desse país.

O Apêndice II tem padrões mais rígidos: São exigidas licenças de exportação de onde quer que a espécie seja extraída. A maioria das espécies ameaçadas, incluindo o pau-brasil, se enquadra nesta categoria.

Mas o Brasil espera colocar o pau-brasil no apêndice um, uma categoria para espécies ameaçadas de extinção.

O comércio de plantas e animais nesse apêndice é amplamente proibido, exceto para uso não comercial. Mas mesmo nesse caso, são necessárias licenças de importação e de exportação.

Em sua proposta, o Brasil argumenta que as restrições atualizadas são necessárias para combater a extinção da planta.

Restam apenas cerca de 10.000 árvores adultas de pau-brasil. A população diminuiu 84% nas últimas três gerações e exploração madeireira ilegal desempenhou um papel dominante nisso declíniode acordo com a proposta.

“A extração seletiva do pau-brasil continua ativa, tanto dentro como fora das áreas protegidas”, explica a proposta.

“Em todos os casos detectados recentemente, o destino dessas madeiras é a indústria de fabricação de arcos para instrumentos musicais”.

Acrescenta que “520 anos de intensa exploração” levaram à “eliminação total da espécie em diversas regiões”.

Uma operação lançada pela polícia brasileira em outubro de 2018 resultou na multa de 45 empresas e fabricantes de arcos.

Quase 292 mil arcos e blanks – blocos de madeira inacabados destinados a se tornarem arcos – foram apreendidos.

Outra investigação, entre 2021 e 2022, levou a polícia a concluir que cerca de 46 milhões de dólares em lucros vieram do comércio ilegal de pau-brasil.

“A maioria dos arcos e moldes de arco vendidos por empresas brasileiras nos últimos 25 anos provavelmente se originou de fontes ilegais”, escreveu o Brasil em sua proposta.

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