A classificação operacional do aeroporto de Santa Maria e o forte nevoeiro registrado em Campo Grande na manhã desta sexta-feira (3) começaram a chamar a atenção dos profissionais da aviação após a queda do avião que matou o piloto Henrik Martins e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Mocklinghoff.
Um pequeno avião caiu na manhã desta sexta-feira (3) perto do aeroporto de Campo Grande Santa Maria, matando o piloto Henrik Martins e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Mocklinghoff. O aeródromo é classificado para operações visuais (VFR), e o forte nevoeiro registado no local levanta dúvidas entre os profissionais da aviação, que aguardam a investigação do SNIPA sobre a causa do acidente.
De acordo com consulta ao Rotaer, publicação oficial de informações aeronáuticas do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), o Aeródromo de Santa Maria (SSKG) está classificado para operações VFR (Visual Flight Rules), ou seja, sob regras de voo visual.
Nessas operações, o piloto deve manter referência visual do terreno e do horizonte para manobrar a aeronave. Os voos IFR (Regras de Voo por Instrumentos), conhecidos como voos por instrumentos, utilizam equipamentos de navegação e procedimentos específicos publicados para cada aeródromo, que permitem operações em condições de visibilidade reduzida.
De acordo com os pilotos entrevistados para o relatório, a ausência de procedimentos IFR publicados para o Santa Maria significava que as operações em condições meteorológicas adversas dependiam do julgamento do próprio comandante da aeronave.
Na prática, explicam os profissionais, cabe ao piloto analisar se existem condições seguras para manter a referência visual durante a decolagem. “Nesse caso, a decisão acaba sendo muito individual. Cada piloto avalia a situação que estava enfrentando naquele momento”, explicou um profissional da aviação que acompanha o incidente e pediu para não ser identificado.
As diferenças entre os dois modelos operacionais começaram a ser discutidas pelos pilotos acompanhando o local do acidente. Sob condição de anonimato, profissionais ouvidos pelo Campo Grande News afirmaram que as condições meteorológicas registradas durante a noite e madrugada deverão fazer parte da investigação realizada pelo CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).
Os pilotos ressaltaram que ainda não há conclusão sobre a causa do acidente e não é possível afirmar quais procedimentos foram adotados pela tripulação. Contudo, avaliam que a combinação entre baixa visibilidade e características operacionais dos aeródromos deve ser analisada pelos pesquisadores.
Na manhã desta sexta-feira, sob influência de frente fria em Campo Grande, madrugada com neblina, garoa e temperatura de 7,6 graus Celsius. Nevoeiro foi registrado na região das avenidas Três Baras e Ministro João Arinos, na saída de Três Lagoas, mesma área onde fica o Aeroporto de Santa Maria.
Segundo relatos, o voo acidentado deveria decolar por volta das 5h, mas sua partida foi atrasada devido ao clima. O avião saiu da pista por volta das 6h20 e caiu momentos depois em uma área arborizada próxima ao Condomínio Atlântico.
Outra coisa notada pelos profissionais da aviação é que o avião acidentado não foi o único a sair de Santa Maria esta manhã. é determinado por Notícias de Campo GrandeO avião utilizado pelo governador Eduardo Riedel (PSDB-MS) também decolou do local. Fontes da indústria destacam, porém, que se trata de operações com características técnicas distintas, o que impede a comparação direta neste momento.
Embora o aeródromo pareça ser classificado para operações visuais, a aeronave acidentada estava autorizada para voos IFR, segundo informações da RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro) e da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Especialistas explicam que a certificação de aeronaves é diferente da classificação operacional de aeródromo.
Contactada pelo repórter, a administração do Aeroporto de Santa Maria disse que todas as informações sobre as características operacionais da pista estão disponíveis na publicação aeronáutica oficial.
O Cenipa investigará as circunstâncias do acidente.
Reformas anunciadas este ano- A discussão sobre o estado operacional do aeroporto de Santa Maria surge meses depois do anúncio de um investimento milionário para modernizar a estrutura. Em fevereiro deste ano, a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) aprovou a licitação para reforma e ampliação do aeródromo no valor de R$ 45,7 milhões.
O projeto prevê a implantação de guarita e área de recepção de passageiros, bem como a recuperação e ampliação de pistas de pouso e decolagem, pátios de estacionamento de aeronaves e áreas de taxiamento.
Na época, o governo do estado afirmou que o investimento fazia parte do plano de aviação do Mato Grosso do Sul, que visa ampliar a infraestrutura aeroportuária e fortalecer o sistema logístico regional. A obra faz parte de um pacote de investimentos para construção, reabilitação e adequação de aeroportos e aeroportos em diversas regiões do estado.







