O meteorologista detalhou a previsão e explicou como o El Niño deverá afetar o clima do estado

Mulheres bem vestidas caminham no centro de Campo Grande (Foto: Marcos Malouf/Arquivo)

Mato Grosso do Sul tem duas frentes frias que podem reduzir novamente as temperaturas neste final de semana e na primeira semana de junho, disse hoje (15) o meteorologista Natália Abrão.

Mato Grosso do Sul aguarda a chegada de duas frentes frias com forte queda nas temperaturas prevista para o início de junho. Segundo o meteorologista Natalio Abrão e Semtec, o fenômeno El Nino tornará as chuvas mais abundantes no inverno e aumentará o risco de eventos extremos de calor e ondas de calor até o verão. O cenário de instabilidade climática exige monitoramento contínuo, pois pode afetar a agricultura, a saúde pública e os recursos hídricos do estado.

“O mais próximo não trará as temperaturas mais baixas registadas na semana passada, mas sim a partir do início do próximo mês. Será congelante”, previu.

O meteorologista disse que o inverno deste ano poderá ter frentes frias com intervalos menores que os anos anteriores e, devido ao efeito do El Nino, menos chuvas em julho do que o normal. “Este é um mês que historicamente quase não choveu, mas este ano pode ser diferente em consequência deste acontecimento”, disse.

Possível registro – Natalio destacou que o El Niño está saindo do modo neutro, conforme mostra o modelo do ECMWF (Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo). Esta semana, um relatório da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos EUA reforçou o “Aviso El Niño”.

Abraão afirma que isso aumenta a possibilidade de a temperatura no município mato-grossense atingir recorde. Como destaque, citou Água Clara, Aquidauana e Porto Murtinho, que já registravam algumas das maiores do estado. O valor mais alto foi medido na primeira cidade, que atingiu 44,6 graus Celsius em 5 de abril de 2020.

“As águas do Oceano Pacífico começaram a aquecer e continuarão a aquecer. Em novembro e dezembro, poderão aquecer até 1 grau Celsius”, disse o meteorologista, referindo-se ao El Niño.

Segundo Natalio, esta primavera poderá ser quente, com chuvas acima da média, concentradas em poucas horas ou dias e com distribuição irregular.

“O que evapora no oceano é trazido pelo vento para a região amazônica, que passa pelo sudeste e Mato Grosso do Sul. Se isso acontecer, teremos uma quantidade de chuva que agrada aos agricultores.

A tendência de altas temperaturas continua em novembro e dezembro. “É algo que vimos em anos anteriores e que pode ser agravado pelo El Niño e pelas alterações climáticas”.

Previsão para o trimestre – Análises climáticas do Cemtec (Observatório de Tempo e Clima) referentes aos meses de junho a agosto no estado reforçam o cenário de atenção, mas devido à distribuição irregular das chuvas e temperaturas um pouco acima do normal no inverno.

“Este cenário poderá afectar directamente os sectores da agricultura, dos recursos hídricos, da energia e da saúde pública, além de aumentar a necessidade de monitorização contínua das condições meteorológicas”, descreveu o centro num documento.

A Cemtec destacou que há 92% de chance de o El Niño se desenvolver durante o trimestre e atingir nível moderado a forte entre a primavera e o início do verão, o que pode favorecer ondas de calor mais frequentes e intensas.

Como o estado se encontra em uma zona de mudanças climáticas, o que gera maior variabilidade nas condições climáticas, o Centro concluiu que a situação precisa ser monitorada continuamente.

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