O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de promover uma estratégia de pressão económica que visa causar um “surto social” na ilha e criar um pretexto para uma intervenção no país.
Numa entrevista ao jornal espanhol elDiario.es, o presidente cubano confirmou que Washington mantém uma política de “estrangulamento económico, financeiro e energético” contra Cuba, embora tenha esclarecido que o seu governo continua a apoiar o diálogo para resolver as diferenças entre os dois países.
“Não queremos a guerra”, disse Díaz-Canel, embora tenha alertado que Cuba está pronta para responder a qualquer agressão militar, sob uma doutrina de defesa nacional que prevê a participação de toda a população.
Alerta sobre possíveis consequências de interferência
O presidente cubano garantiu que um ataque final acarretaria um elevado custo humano para ambos os lados.
Segundo explicou, um conflito armado não só causaria danos significativos a Cuba, mas representaria uma situação crítica para os Estados Unidos e uma ameaça à estabilidade da América Latina e do Caribe.
No entanto, sublinhou que a prioridade da sua administração é preservar a paz e promover o processo de diálogo.
Solicite diálogo sem condições
Díaz-Canel confirmou que Cuba está disposta a negociar com os Estados Unidos, desde que sejam conduzidas em igualdade de condições e sem pressões externas.
O presidente observou que ambos os países poderiam fortalecer áreas de cooperação como comércio, turismo, cultura, ciência e desporto, mas rejeitou qualquer tentativa de condicionar o diálogo à mudança do sistema político de Cuba.
Ele disse, protegemos nossa liberdade, soberania e autodeterminação.
Critica o embargo e nega que Cuba seja um Estado falido
Durante a entrevista, Díaz-Canel descreveu as sanções económicas dos EUA como uma medida “cruel” e “criminosa”, argumentando que afectou gravemente sectores estratégicos como a agricultura, o turismo e os serviços básicos.
Mencionou também dificuldades relacionadas com o fornecimento de energia, embora tenha garantido que o país continuará a resistir às pressões externas.
Da mesma forma, rejeita declarações que descrevam Cuba como um Estado falido.
“Se estivéssemos, não seríamos capazes de sobreviver nesta situação”, disse ele.
Instaram a Europa e a Espanha a protegerem os seus interesses
O presidente de Cuba pediu à União Europeia e à Espanha que protejam as suas empresas e cidadãos contra as sanções dos EUA que afetam o investimento na ilha.
Segundo Díaz-Canel, as restrições impostas por Washington não prejudicam apenas Cuba, mas também os empresários europeus e espanhóis que desenvolvem actividades económicas no país caribenho.
O presidente concluiu que a Europa deveria rejeitar os apelos à acção extraterritorial e proteger os seus próprios interesses comerciais na região.








