Recursos serão aplicados em ações da FioCruise nas regiões Guarani e Kaiwa do MS
O MPI (Ministério das Populações Indígenas) assinou um TED (Posse Efetiva Descentralizada) no valor de R$ 1,146 milhão com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no prazo de 12 meses, para ações contra a poluição por agrotóxicos nos três municípios de Guarani e Kiova. Sul: Coronel Sapucaia, Aral Moreira e Carapo.
O Ministério dos Povos Indígenas assinou com a Fiocruz um termo de execução descentralizada no valor de R$ 1,146 milhão para combater a poluição por agrotóxicos nas regiões Guarani e Kiowa do Mato Grosso do Sul. As ações previstas para 12 meses incluem capacitação em vigilância sanitária e planos de prevenção de exposição em municípios como Coronel Sapucaia, Aral Moreira e Carapo, onde 60,8% dos moradores da região apresentam sintomas de intoxicação.
O MPI destacou que as comunidades indígenas desta região do estado enfrentam uma crise humanitária, registrando a morte de duas crianças da comunidade Tekoha Jopara, em Coronel Sapukaia, que teriam apresentado sintomas como vômitos, diarreia e dor de cabeça após serem pulverizadas em plantações próximas, além da morte de outro indígena. Depois de beber uma bebida armazenada em um galão de agrotóxico, prática que seria comum pela falta de apoio e água potável.
O ministério destacou que dados coletados pelo Gabinete de Crise Guarani Kiowa em 51 regiões revelaram que 60,8% dos moradores da área apresentam sintomas de intoxicação, sendo crianças e gestantes as principais vítimas.
O diagnóstico indica ainda que 27,5% da área sofre pulverização aérea e 64,7% pulverização terrestre, o que afectará não só a saúde humana, mas também as fontes de água e as culturas de subsistência.
Durante a cerimônia de assinatura, o Ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, destacou que o projeto está diretamente ligado às ações estruturais do Gabinete de Crise Guarani Kiowa criado em setembro de 2023 após um episódio de violência na região. O ministro explicou que as actividades do gabinete estão divididas em três áreas prioritárias: acesso à terra, água e combate à poluição.
Ele destacou que, no domínio fundiário, a FUNAI (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) retomou o processo de demarcação. Sobre o acesso à água, ele mencionou o fornecimento de 20 poços e a renovação do contrato com a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) para a construção de dois superpoços na Reserva Indígena de Dourados, além da abertura de mais 30 unidades na área de recuperação.
Em relação ao TED, o MPI destaca que existem duas frentes de atuação. A primeira é a formação popular em vigilância sanitária. A iniciativa tem como foco a capacitação de indígenas, gestores da SESAI/MS (Secretaria Especial de Saúde Indígena) e do SUS (Sistema Único de Saúde) para identificar precocemente sinais de intoxicação e estabelecer vínculo epidemiológico.
Junto a isso, serão produzidos três vídeos bilíngues, em português e guarani, duas cartilhas bilíngues e um relato narrativo da oficina, desenvolvido de forma participativa com todas as comunidades.
Uma segunda frente consiste em planos de mitigação de exposição. O foco está no desenvolvimento de estratégias em pelo menos três áreas principais para reduzir ou eliminar a exposição a pesticidas. As ações incluem determinação de rotas de exposição, pulverização aérea e terrestre, contaminação de águas e solos, mapeamento de áreas de risco e definição de medidas emergenciais e estruturais.





