Roselli passou mal no dia seguinte ao procedimento e não resistiu a uma clínica no Brooklyn

Rosely Fernandes, de 48 anos, em foto postada nas redes sociais. (Foto: Raça/Facebook)

A maquiadora Roselli Fernandez de Oliveira Romeiro Vieira, 48 anos, moradora de Jardim, cidade a 236 quilômetros de Campo Grande, morreu na manhã desta terça-feira (26) após passar mal um dia após passar por um procedimento estético com aplicação de PMMA (polimetilmetacrilato), mas com dor nas costas. Bairro Brooklyn, Zona Sul de São Paulo (SP).

Uma maquiadora de 48 anos morreu em São Paulo após aplicar PMMA nas nádegas e coxas, procedimento pelo qual pagou R$ 50 mil. Roselli Vieira, moradora de Jardim (MS), passou mal poucas horas depois e foi levada inconsciente a uma clínica no Brooklyn, onde não resistiu. O médico responsável, com mais de 100 mil seguidores nas redes sociais, foi acusado de homicídio. A Anvisa não aprova PMMA para fins estéticos.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a vítima pagou cerca de R$ 50 mil pelo procedimento. A reportagem afirma ainda que Rosselli retornará à clínica nesta terça-feira para continuar as aplicações na região do quadril.

O paciente perdeu a consciência em um carro de aplicativo, desmaiou no prédio onde funciona o consultório e não resistiu aos esforços de reanimação do médico responsável e do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Imagens de câmeras de segurança obtidas por veículos de São Paulo mostram Roselli chegando ao prédio comercial do Brooklyn, na Avenida Santo Amaro, às 9h08. A vítima é vista inconsciente em uma cadeira de rodas, enquanto dois homens o ajudam a sair do carro. Uma delas será a Dra. Tabitha Nunes Marcolino Jorge, 36 anos, responsável pelo procedimento estético realizado no dia anterior.

Mais tarde, um homem ajuda Roselli a chegar ao hall do prédio. A foto mostra o médico realizando massagem cardíaca enquanto outras pessoas acompanham os esforços de resgate. Todo o movimento dura cerca de três minutos, entre 9h08 e 9h11. Segundo boletim de ocorrência, a morte foi confirmada às 10h05.

A reportagem revelou ainda que Rosselli viajou do Mato Grosso do Sul a São Paulo para realizar procedimentos estéticos com o médico, que tem mais de 100 mil seguidores nas redes sociais e divulga seu trabalho de “harmonização glútea”. De acordo com o relato da menina vítima à polícia, menos de 24 horas após a denúncia, a mulher começou a sentir fortes dores, desconforto, coração acelerado e dificuldade para respirar na manhã desta terça-feira.

O médico disse à polícia que administrou cerca de 300 mililitros de PMMA, substância usada em procedimentos de preenchimento corporal. Em depoimento, o profissional afirmou que Roselli apresentou o exame sem alterações antes da intervenção estética.

O inquérito também investigou outro procedimento realizado pela vítima quatro dias antes de sua morte. Segundo o boletim de ocorrência, Rosselli passou por uma plástica facial pelo mesmo médico na sexta-feira (22).

A Polícia Civil aguarda o laudo do IML (Instituto Médico Legal) para confirmar a causa da morte e verificar se houve ligação direta entre a aplicação do PMMA e a parada cardiorrespiratória do paciente.

A Polícia Civil de São Paulo investiga o caso como homicídio culposo, quando não há motivo para homicídio, além de mortes suspeitas e mortes acidentais. O caso foi registrado no 27º Distrito Policial, Campo Bello.

o que é – PMMA é um material sintético utilizado em preenchimentos corporais permanentes. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) só autoriza o uso para fins de prescrição médica e recuperação em determinadas circunstâncias. O produto não está aprovado para aumentar o volume corporal apenas por questões estéticas.

As instituições médicas brasileiras restringem o uso da substância em procedimentos estéticos pelo risco de complicações graves. Segundo a Folha de S.Paulo, o CFM (Conselho Federal de Medicina), a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) já defenderam a Anvisa para proibir o PMMA para fins estéticos.

Especialistas alertam que aplicações em larga escala podem causar infecção, embolia, desfiguração permanente e até morte. Como as obturações são permanentes, o material também é difícil de remover e pode exigir nova cirurgia.

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