No Ruanda pós-genocídio, encontros frágeis fazem com que sobreviventes e perpetradores enfrentem o passado para reabrir caminhos para a coexistência.
Em 1994, o Ruanda foi devastado quando os líderes hutus orquestraram um genocídio sistemático contra a população tutsi – violência enraizada em décadas de divisão étnica arquitetada e manipulação política destinada a fraturar o país. No espaço de 100 dias, quase um milhão de vidas foram ceifadas, deixando comunidades destruídas e vizinhos transformados em inimigos.
Décadas mais tarde, a nação continua a difícil tarefa de reconstruir a confiança. Este episódio segue Karenzi, um antigo perpetrador que foi autorizado a regressar à sua aldeia através dos tribunais de Gacaca, os tribunais comunitários tradicionais do Ruanda. Sob este sistema, a reintegração não dependia de cumprir longas penas de prisão, mas de confessar abertamente os crimes, reconhecer a verdade e procurar o perdão dos sobreviventes. A trajetória de Karenzi o obriga a enfrentar o peso de suas ações e a se relacionar diretamente com aqueles que carregam a memória do que ele fez.
À medida que Karenzi e Murakatete começam a falar um com o outro, o episódio testemunha como o dizer a verdade, a responsabilidade e a vontade de ouvir criam um espaço para a cura mútua, no espírito de Mvura Nkuvure: “Eu curo você, você me cura”. Através do esforço partilhado, o filme explora como o processo de reconciliação do Ruanda continua a evoluir, moldado pelas pessoas que ousam enfrentar-se umas às outras após perdas inimagináveis.
Um filme de Fátima Lianes
Publicado em 11 de fevereiro de 2026