Sábado, 4 de abril de 2026 – 17h35 WIB
Jacarta – (EN) A turbulência geopolítica global mostrou mais uma vez o seu impacto real no sector económico real, especialmente na agricultura. Os conflitos que ocorrem na região do Médio Oriente começam agora a alastrar-se à cadeia de abastecimento alimentar em vários países em desenvolvimento.
Este impacto tornou-se ainda mais real depois da interrupção das rotas de distribuição de matérias-primas energéticas e de fertilizantes. Os países que dependem de importações começam a sentir a pressão, tanto em termos de preço como de disponibilidade.
Uma das regiões mais afetadas é o Sul da Ásia, especialmente Índia E Sri Lanka. Ambos os países dependem fortemente das importações de fertilizantes e de energia para apoiar os seus sectores agrícolas.
Esta condição suscitou preocupação generalizada, porque o sector agrícola é a espinha dorsal da segurança alimentar e uma fonte de subsistência para milhões de pessoas. Um agricultor em Punjab, Gurvinder Singh, expressou a sua preocupação com a evolução da situação.
“Já estamos com dificuldade em lucrar. Se não conseguirmos fertilizantes, a colheita vai diminuir. Isso vai afectar toda a minha família e toda a região, porque somos completamente dependentes da agricultura”, disse, citado pelo O Guardiãosábado, 4 de abril de 2026.
Como se sabe, esta crise foi desencadeada pelo conflito que envolveu o Irão e Israel e os Estados Unidos (EUA), que teve impacto nas rotas globais de distribuição de energia, incluindo o Estreito de Ormuz, uma das importantes rotas mundiais de transporte de petróleo e gás. As perturbações nesta via provocam perturbações no fornecimento de energia e um aumento dos preços.
Contudo, o impacto não se fica pelo sector energético. Analistas alertam que esta crise pode evoluir para crise alimentar global. O Programa Alimentar Mundial estima que até 45 milhões de pessoas adicionais poderão ser empurradas para uma situação de insegurança alimentar aguda se o conflito não terminar rapidamente.
A própria Índia é o segundo maior consumidor de fertilizantes do mundo, depois da China, com uma necessidade de mais de 60 milhões de toneladas por ano. A maior parte destes fornecimentos depende de importações, especialmente da região do Golfo.
“A agricultura indiana ainda depende fortemente de fertilizantes químicos. Qualquer perturbação cria rapidamente ansiedade”, disse Devinder Sharma, economista agrícola.
Um tipo de fertilizante que mais preocupa é a uréia, principal componente da produção agrícola. A produção nacional de ureia também depende do gás importado, cuja oferta começa agora a diminuir cerca de 30 por cento.
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Como resultado, os agricultores começaram a tomar medidas antecipadas. Muitas pessoas começam a armazenar fertilizantes cedo, mesmo que a época de plantio ainda não tenha começado. Esta situação foi até considerada inédita pelos players do setor.