A decisão do governo israelita de aprovar o processo de registro de terras na Cisjordânia ocupada como “propriedade estatal” suscitou uma condenação generalizada por parte dos países regionais e das organizações internacionais.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel disse no domingo que a medida permitiria “esclarecimento transparente e completo dos direitos para resolver disputas legais” e foi necessário após o registo ilegal de terras em áreas controladas pela Autoridade Palestiniana (AP).
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A decisão permite o renascimento dos processos de “acerto de títulos de terra”, congelados desde 1967, quando Israel ocupou a Cisjordânia.
A presidência palestiniana condenou a medida israelita, qualificando-a de “grave escalada e violação flagrante do direito internacional”, o que equivale a “anexação de facto”. Apelou à comunidade internacional, especialmente aos Estados Unidos e às Nações Unidas, para intervirem imediatamente.
O Hamas também denunciou a medida como uma tentativa de “roubar e judaizar terras na Cisjordânia ocupada, registando-as como as chamadas ‘terras estatais’”.
“É uma tentativa de impor à força colonatos e judaização no terreno, em flagrante violação do direito internacional e das resoluções relevantes da ONU”, afirmou, qualificando a acção israelita de “uma decisão nula e sem efeito emitida por uma potência ocupante ilegítima”.
Os países regionais, incluindo o Catar, o Egipto, a Arábia Saudita e a Jordânia, consideraram a medida ilegal ao abrigo do direito internacional e uma ameaça à solução de dois Estados para o conflito Israel-Palestina.
Aqui está o que eles disseram:
Egito
Num comunicado, o governo egípcio classificou a decisão israelita como uma “escalada perigosa que visa consolidar o controlo israelita sobre os territórios palestinianos ocupados”.
Catar
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar disse que a aprovação do processo de registo de terras era “uma extensão dos seus planos ilegais para privar o povo palestiniano dos seus direitos”.
“O Ministério dos Negócios Estrangeiros sublinha a necessidade de solidariedade internacional para pressionar a ocupação a suspender a implementação da decisão para evitar as suas graves repercussões”, acrescentou.
Jordânia
O Ministério dos Negócios Estrangeiros e dos Assuntos Expatriados da Jordânia, numa declaração, apelou à comunidade internacional para “assumir as suas responsabilidades legais e morais e obrigar Israel, a potência ocupante, a parar a sua perigosa escalada”.
Arábia Saudita
O Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita expressou a sua “condenação” aos planos que visam impor uma “nova realidade jurídica e administrativa” na Cisjordânia ocupada, dizendo que tais medidas “minariam os esforços em curso para alcançar a paz e a estabilidade na região”.
“Não existe soberania israelita sobre os territórios palestinianos ocupados”, afirmou inequivocamente o ministério, rejeitando as medidas ilegais que constituem uma “grave violação do direito internacional” e minam a solução de dois Estados.
Kuwait
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Kuwait condenou a decisão israelita e descreveu a medida como uma “decisão nula e sem efeito”, instando a comunidade internacional a “dissuadir essas violações israelitas”.
“É absolutamente inaceitável impor a soberania não palestina sobre a Cisjordânia ocupada”, afirmou o ministério num comunicado.
“Qualquer decisão de anexar terras na Cisjordânia ocupada seria considerada nula, sem efeito e ilegítima, e prejudicaria os esforços internacionais que visam alcançar uma paz justa e abrangente, em linha com as resoluções do Conselho de Segurança e a solução de dois Estados”, sublinhou.
Paquistão
Islamabad apelou “à comunidade internacional para que tome medidas concretas para acabar com a impunidade israelita”.
“O Paquistão condena veementemente a última tentativa da potência ocupante israelita de converter áreas da Cisjordânia ocupada na chamada propriedade estatal e de expandir as actividades de colonatos ilegais”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros num comunicado.
O “contínuo desrespeito de Israel pelo direito internacional e as suas ações provocativas minam as perspectivas de uma paz justa, abrangente e duradoura na região”, acrescentou.
Organização da Cooperação Islâmica
A OIC disse que a decisão de Israel era semelhante a “medidas coloniais” na Cisjordânia ocupada e apelou a uma acção internacional urgente.
A organização com sede em Jeddah disse que as medidas de Israel “visam a existência do povo palestiniano e os seus direitos legítimos”, incluindo o direito à autodeterminação e ao estabelecimento de um Estado soberano independente dentro das fronteiras que existiam antes da guerra de 1967, com Jerusalém Oriental ocupada como capital.
União Europeia
A UE apelou na segunda-feira a Israel para reverter a sua aprovação, alertando que se tratava de uma “nova escalada”.
“Isto constitui uma nova escalada após as recentes medidas já destinadas a alargar o controlo israelita” na Cisjordânia ocupada, disse o porta-voz dos assuntos externos da UE, Anouar El Anouni.
“Reiteramos que a anexação é ilegal segundo o direito internacional. Apelamos a Israel para reverter esta decisão”, acrescentou.

