A busca à subsidiária de CK Hutchison marca o mais recente ponto crítico nas crescentes tensões entre os EUA e a China sobre o controlo do canal comercial vital do Panamá.

As autoridades do Panamá teriam revistado e removido propriedades da subsidiária de uma empresa de Hong Kong que tem estado no centro das recentes tensões entre os Estados Unidos e a China sobre o Canal do Panamá.

Num comunicado divulgado na sexta-feira, a Panama Ports Company (PPC), parte do conglomerado CK Hutchison de Hong Kong, disse que o governo panamiano “agiu em desrespeito ao Estado de Direito”.

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Ele condenou o que chamou de “as últimas etapas para invadir e tomar a propriedade do PPC” durante uma busca na quinta-feira. Também acusou as autoridades de entrarem num local de armazenamento privado sem aviso prévio e de ignorarem pedidos para salvaguardar dados empresariais sensíveis.

A Panama Ports Company tem estado sob crescente escrutínio após as alegações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que a China estava a exercer demasiada influência sobre o canal comercial arterial, que liga o Oceano Pacífico ao Atlântico.

O governo do Panamá negou veementemente o controle chinês da hidrovia.

Mas no mês passado, o Supremo Tribunal do país anulado acordos que deram à Panama Ports Company o controle sobre dois portos de canal. O tribunal decidiu que as concessões concedidas à empresa eram inconstitucionais.

A China alegou que o processo judicial foi uma reação à pressão “hegemónica”.

Condenou o Panamá convulsão dos portos, bem como a sua decisão de recorrer temporariamente à empresa dinamarquesa Maersk e à MSC, sediada na Suíça, para gerir os portos até que um novo acordo seja alcançado.

Entretanto, o Presidente do Panamá, José Raul Mulino, advertiu a China para “ter cuidado” nas suas manobras.

“Eles precisam mais de nós do que nós deles”, disse ele.

Os dois portos em questão, o Porto Balboa, no lado do Oceano Pacífico, e o Porto Cristobal, no extremo Atlântico, movimentam cerca de 39% de todo o tráfego de contentores do Panamá.

Os portos estão localizados nas entradas do Canal do Panamá, mas não estão sob a supervisão da Autoridade Autônoma do Canal do Panamá que opera a hidrovia.

Antes de assumir o cargo, Trump repetidamente disse que queria assumir o controle do Canal do Panamá, alegando que os EUA estavam sendo “enganados” pelos preços dos pedágios.

O canal já havia sido controlado pelos EUA, mas foi entregue ao Panamá em 1999, sob um tratado de 1977 assinado pelo então presidente Jimmy Carter.

Antes do ataque de sexta-feira, CK Hutchison tinha concordado com a venda de dezenas de portos em todo o mundo, por 23 mil milhões de dólares, incluindo os terminais panamianos, a um consórcio liderado pela multinacional norte-americana BlackRock e pela Mediterranean Shipping Company.

O acordo, que enfrentou repetidos atrasos, foi criticado por Pequim, mas bem recebido por Trump.

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