CK Hutchison afirma que o governo panamenho assumiu o “controle administrativo e operacional” dos seus dois portos no canal.
Publicado em 24 de fevereiro de 2026
O governo do Panamá assumiu o controle de dois portos em cada extremidade do Canal do Panamá de um conglomerado de Hong Kong após um recente decisão do Supremo Tribunal do país.
CK Hutchison, de Hong Kong, disse na terça-feira que o governo do Panamá “fez entrada física direta nos terminais de Balboa e Cristobal” e assumiu “controle administrativo e operacional” sobre os dois portos do Canal do Panamá.
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A empresa disse que a aquisição “ilegal” reflete o culminar de uma campanha do Estado panamenho contra a sua subsidiária, Panama Ports, após a decisão do Supremo Tribunal no mês passado.
De acordo com um decreto governamental, a Autoridade Marítima do Panamá foi autorizada a ocupar os portos por “motivos de interesse social urgente”, segundo a agência de notícias Associated Press (AP).
A autoridade marítima também tem o direito de assumir a propriedade portuária, incluindo sistemas informáticos e guindastes, de acordo com o decreto.
A aquisição estatal marca a mais recente reviravolta numa saga de um ano para CK Hutchison, que se viu envolvido numa luta a três entre a China, os Estados Unidos e o Panamá após o regresso do presidente dos EUA, Donald Trump, à Casa Branca no ano passado.
A partir de Dezembro de 2024, Trump começou a alegar que o Canal do Panamá estava a ser operado pela China e prometeu “retirá-lo” – usando a força militar, se necessário – como parte de um esforço maior para reafirmar o domínio dos EUA sobre o Hemisfério Ocidental.
Mês passado, Suprema Corte do Panamá decidiu que a concessão da CK Hutchison para operar os dois portos era “inconstitucional”, apesar de a empresa ter renovado a sua concessão em 2021 por mais 25 anos.
O Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau (HKMAO) do governo chinês opinou sobre a polémica, descrevendo a decisão como “absurda” e “vergonhosa”, ao mesmo tempo que alertou que o país latino-americano pagaria “preços elevados tanto política como economicamente”.
O presidente do Panamá, José Raul Mulino, respondeu, dizendo que rejeitava “fortemente” A ameaça da China contra o seu país e que o Panamá é um país que defende o Estado de direito “e respeita as decisões do poder judiciário, que é independente do governo central”.

