Uma auditoria mostrou pagamentos maiores do que compensações em março e abril, segundo registros
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) determinou que o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) refaça o cálculo dos pagamentos de indenizações feitas aos magistrados após auditoria identificar potenciais valores vencidos nas folhas de pagamento de março e abril deste ano. A decisão foi assinada pelo Inspetor Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, que também deu prazo de cinco dias para envio de novo relatório ao órgão.
O CNJ determinou que a Justiça de Mato Grosso do Sul refaça o cálculo dos pagamentos indenizatórios feitos pelos magistrados após identificar possíveis pagamentos superiores ao devido em março e abril deste ano. A decisão, assinada pelo magistrado Mauro Campbell Marques, suspendeu o procedimento utilizado pelo tribunal e deu cinco dias ao órgão para enviar novo relatório.
A auditoria analisou pagamentos relativos a férias compensatórias, abono pecuniário, abono de férias, abono de Natal e licença compensatória. De acordo com a decisão, o tribunal utilizou a rubrica “compensação de localização” como base de cálculo dos benefícios compensatórios, prática considerada irregular pela Corregedoria.
O CNJ afirma que o valor tem caráter provisório e, portanto, não pode ser incluído na base de cálculo da indenização. O entendimento segue posicionamento já assumido pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).
“O pagamento de parcelas indenizatórias calculadas sobre fundo de caráter transitório fere entendimento consistente do Superior Tribunal de Justiça e compromete a regularidade do pagamento”, diz trecho da decisão assinada por Campbell.
A auditoria indicou uma potencial cobrança dupla para terços constitucionais de licença compensatória. Segundo o relatório, o excesso voltará a ser aplicado numa secção que já inclui esta percentagem na fórmula utilizada pelos tribunais.
Em um dos exemplos apresentados pelo CNJ, as licenças compensatórias calculadas pelo TJMS chegaram a R$ 104,4 mil. O preço indicado pela auditoria foi de R$ 87,8 mil, uma diferença de cerca de R$ 16,5 mil.
A pesquisa também identificou discrepâncias no pagamento de 13º salário, abono de férias e licença compensatória. A Direcção Nacional da Administração Interna considerou necessária a revisão do valor pago aos juízes individualmente durante os meses em análise.
Na decisão, Campbell determinou a suspensão imediata da metodologia utilizada pelo TJMS no cálculo dos valores indenizatórios. O tribunal deverá recalcular o pagamento individualmente e informar ao CNJ qualquer pagamento efetuado além do devido.
“A continuidade da abordagem actualmente adoptada poderá resultar na continuação de pagamentos incompatíveis com os parâmetros definidos pela jurisprudência”, afirmou o inspector.
O ministro alertou ainda que o descumprimento das decisões poderá resultar em investigações disciplinares.
Até o momento, o CNJ não determinou a restituição imediata do valor identificado pela auditoria. A medida atual exige apenas a revisão dos pagamentos efetuados em março e abril deste ano.
A investigação começou neste mês, quando a Inspetoria Nacional de Justiça criou um grupo de trabalho para auditar as folhas de pagamento dos juízes do TJMS e do TJGO (Tribunal de Justiça do Estado de Goas). A equipe foi autorizada a acessar processos administrativos e documentos judiciais durante a análise de pagamentos ordinários e extraordinários.










