Catadores trabalham na separação de resíduos (Foto: IBRAPARC – Projeto Reciclarbono)

O primeiro projeto do Brasil que visa fornecer créditos de carbono diretamente aos catadores de materiais recicláveis ​​está em fase de certificação internacional e deve começar a pagar cooperativas e associações no primeiro semestre deste ano. Chamada de “Recicladorbono”, a iniciativa reúne cerca de 260 catadores organizados em 10 cooperativas e associações espalhadas por 7 municípios de Mato Grosso do Sul, sendo 4 deles em Campo Grande.

O projeto inédito “recicladorbono” no Brasil está em fase de certificação internacional e deve começar a pagar catadores de materiais recicláveis ​​no primeiro semestre de 2025. A iniciativa reúne 260 catadores em 10 cooperativas de Mato Grosso do Sul e já devolveu à produção 13,2 mil toneladas de material reciclado. São esperados 20 mil créditos de carbono para os trabalhadores e cerca de R$ 1 milhão de renda adicional.

Juntas, as empresas já devolveram ao ciclo produtivo cerca de 13,2 mil toneladas de materiais reciclados em 2024 e 2025. Dependendo do valor da redução de carbono, são esperados cerca de 20 mil créditos de carbono e cerca de R$ 1 milhão de renda adicional para os funcionários.

A coordenadora do projeto, engenheira ambiental Bruna Gonsalves, disse que a iniciativa busca garantir valorização e dignidade aos trabalhadores inéditos e recicladores do país.

Bruna explicou que, embora o pagamento não seja mensal, os recursos podem representar um aumento significativo na renda dos trabalhadores, que atualmente gira em média em cerca de R$ 1.400 por mês.

Grupos atuam em associações de catadores (Foto: IBRAPARC – Projeto Reciclarbono)

ambiente – O impacto climático desta iniciativa, conforme explica o projeto, equivale a plantar e cultivar aproximadamente 228.500 árvores ao longo de 20 anos numa área equivalente a cerca de 28 campos de futebol padrão da FIFA (Federação Internacional de Futebol).

Segundo ele, o diferencial do programa é que os recursos obtidos com os créditos de carbono são destinados diretamente aos catadores, algo que, segundo o coordenador, ainda não existe no Brasil.

Segundo Bruna, os esquemas de créditos de carbono exigem altos investimentos em preparação e registro em certificadoras internacionais, o que torna improvável a entrada direta de coletores nesse mercado.

Validade – Atualmente, o “Reciclarbono” está em fase de verificação independente. Nesta fase, a certificadora repassa o cálculo do carbono evitado e demais dados coletados pelas cooperativas e associações ao verificador internacional, que então conduz a auditoria do projeto. Depois disso, a certificadora pode emitir créditos de carbono para as empresas.

O coordenador disse que os certificados de crédito de carbono aprovados só são emitidos após a verificação dos dados respaldados pelo sistema implementado com base nos parâmetros da ONU (Organização das Nações Unidas) e no SISREV (Sistema de Rastreabilidade de Materiais verificado pela Lei Comum de Logística Reversa de Embalagens).

Com os créditos emitidos, o projeto poderá iniciar a comercialização no mercado. O valor arrecadado será encaminhado diretamente às empresas de triagem, proporcionalmente à quantidade de recicláveis ​​gerados por cada uma.

Bruna esclareceu que os créditos de carbono podem ser obtidos tanto pela retirada de carbono da atmosfera, como ocorre no plantio de árvores, quanto por meio do chamado “carbono evitado” na reciclagem.

Segundo ele, quando uma garrafa de vidro reciclado é transformada em uma nova embalagem, evita-se a extração de matérias-primas como sílica e areia, além da emissão de dióxido de carbono no processo de fabricação.

A previsão é que o projeto efetue o primeiro pagamento, provavelmente até o final de junho, embora o cronograma dependa da conclusão da certificação com validade internacional e do ritmo de comercialização do crédito.

Os trabalhadores separam os resíduos em correias transportadoras. (Foto: IBRAPARC – Projeto Reciclarbono)

Como funciona- A iniciativa utiliza dados do SISREV/MS, que funciona desde 2019 no estado. Com isso, é possível registrar e acompanhar a quantidade de materiais reciclados por cada organização participante.

Com base nessas informações, são calculadas as emissões de dióxido de carbono evitadas graças à reciclagem. Isto porque a reutilização de materiais reduz a necessidade de extração de matérias-primas virgens, economiza energia e evita emissões industriais. Os cálculos baseados em documentos relacionados às questões climáticas seguem os procedimentos internacionais da ONU.

Após preparação técnica, o projeto é validado pela Carbon Fair Certifier e posteriormente auditado por terceira parte independente e com reconhecimento internacional. Somente nesta fase os créditos podem ser oficialmente emitidos e vendidos.

Distribuição de riqueza- No primeiro ciclo do projeto, 100% do valor arrecadado com as vendas a crédito será destinado aos catadores por meio de cooperativas e sociedades participantes, sem descontos operacionais. A alocação de recursos entre empresas será proporcional à quantidade de carbono evitada por cada uma.

As transferências deverão ser comprovadas ao IBRAPARC (Instituto Brasileiro de Pesquisa Aplicada em Resíduos e Clima) por meio de documentação específica. O regime proporciona segurança social para garantir que os recursos cheguem efetivamente aos trabalhadores.

Parte do valor poderá ser destinada a melhorias coletivas, como infraestrutura e equipamentos, desde que a decisão seja aprovada e registrada oficialmente em assembleia pelas empresas de triagem. Uma das possibilidades em estudo é a pré-venda de créditos, para que possam ser vendidos assim que forem oficialmente emitidos.

As mulheres trabalham em uma associação de colecionadores. (Foto: IBRAPARC – Projeto Reciclarbono)

origem- O projeto foi desenvolvido em conjunto com diversas organizações que trabalham para promover o valor dos catadores. O Reciclarbono é administrado pelo IBRAPARC com a participação de instituições parceiras como MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas), MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), MPT (Ministério Público), UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), Imasul (Instituto do Meio Ambiente), Universidade Católica Dom Bosco, Imasul (Instituto do Meio Ambiente). Instituto Caminhos Sustentáveis ​​e organizações nacionais associadas a catadores.

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