Se a proposta for implementada, os trabalhadores não poderão procurar soluções através de um conselho de revisão independente.

A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a tornar mais difícil aos funcionários federais despedidos recuperarem os seus empregos, limitando o seu direito de recorrer das demissões a um conselho de revisão independente.

A mudança foi proposta como parte de um plano de governo divulgado nesta segunda-feira pela Secretaria de Gestão de Pessoas (OPM). Segundo a proposta, os funcionários federais que pretendem contestar a sua demissão seriam obrigados a recorrer diretamente ao OPM, que se reporta ao presidente, em vez de a um órgão independente conhecido como Merit Systems Protection Board (MSPB).

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O MSPB atua como mediador entre os trabalhadores federais e o governo e está em vigor desde 1978. Depois que Trump assumiu o cargo, o número de casos do conselho aumentou 266 por cento entre outubro de 2024 e setembro de 2025. Os trabalhadores federais que foram demitidos no início de 2025 e aceitaram aquisições receberam seus contracheques finais no final de setembro.

Se implementada, a proposta basear-se-ia no esforço mais amplo de Trump para encolher o governo federal e limitar a capacidade dos trabalhadores de desafiar essas decisões. O governo demitiu cerca de 317 mil funcionários federais no ano passado.

A mudança ocorre em meio a uma proposta separada anunciada na semana passada que reclassificaria funcionários públicos de carreira de alto nível como funcionários “à vontade”. Essa mudança daria à administração autoridade mais ampla para despedir funcionários de carreira que não se alinhem com a agenda do presidente em exercício, afectando cerca de 50 mil trabalhadores no maior empregador do país.

Delineada num documento de mais de 250 páginas, a directiva permitir que trabalhadores sejam demitidos se estivessem “subvertendo intencionalmente as diretivas presidenciais”.

“O Congresso deu ao OPM autoridade para definir como os recursos de redução de força serão tratados, e esta regra coloca essa responsabilidade em ação”, disse um porta-voz do OPM à Al Jazeera em comunicado. “Ele substitui um processo lento e caro por uma revisão única e simplificada liderada por especialistas em OPM. Isso significa que as agências podem se reestruturar sem anos de litígio, e os funcionários obtêm uma resolução mais rápida e justa caso ocorram erros.”

A proposta também surge no momento em que o governo tenta demitir nomeados políticos de governos anteriores sem justa causa. Desde o ano passado, a Casa Branca tem tentado destituir a governadora da Reserva Federal dos EUA, Lisa Cook, por alegada fraude hipotecária.

Cook contestou a decisão no tribunal federal, que decidiu que o presidente não tinha autoridade para demiti-la. A Casa Branca apelou e o caso está agora no Supremo Tribunal.

Enquanto o tribunal ainda não emitiu uma decisãouma decisão a favor do presidente tornaria mais fácil a destituição de nomeados políticos que não se alinham com a agenda de uma determinada administração.

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