Remédio utiliza molécula inédita no país e pode aliviar sintomas por até duas horas

A embalagem norte-americana do Nurtec ODT é aprovada para uso pela agência reguladora brasileira. (Foto: Pfizer)

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta segunda-feira (25) o registro do Nurtec ODT, novo medicamento indicado para tratar e prevenir crises de enxaqueca em adultos. O medicamento, fabricado pela Pfizer, utiliza rimegepant hemissulfato sesquihidratado, substância desenvolvida especificamente para atuar no processo da doença. A aprovação foi publicada no DOU (Diário Oficial da União).

A Anvisa aprovou o Nurtec ODT, medicamento da Pfizer indicado para tratamento e prevenção de crises de enxaqueca em adultos. O medicamento, em comprimidos de 75 mg, atua bloqueando a proteína CGRP, responsável pela dor e inflamação durante as convulsões. O estudo descobriu que 21% dos pacientes estavam sem dor após duas horas. O registro é válido até maio de 2036, mas preços e datas de comercialização ainda não foram divulgados.

O medicamento pode ser usado por pacientes com enxaqueca com ou sem aura, bem como por aqueles que apresentam crises frequentes, com pelo menos quatro episódios por mês. A aprovação inclui comprimidos de 75 mg comercializados em embalagens de duas, oito e 16 unidades.

Segundo a Anvisa, o princípio ativo pertence à classe dos antagonistas do CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), proteína associada à transmissão da dor durante inflamações e crises. O medicamento atua bloqueando a ação dessa substância no cérebro, processo considerado mais específico que os analgésicos convencionais.

Atualmente, alguns medicamentos da mesma classe disponíveis no Brasil são injetáveis. Nurtec ODT amplia opções com versão oral voltada para tratamento contínuo e imediato.

Um estudo de fase 3 publicado na revista científica The Lancet avaliou a eficácia do remagepant em adultos com convulsões moderadas e graves. Os participantes receberam uma dose única de 75 mg do medicamento ou placebo.

De acordo com os resultados, 21% dos pacientes tratados com o medicamento ficaram sem dor após duas horas, enquanto o grupo placebo registrou uma taxa de 11%.

O estudo também mostrou melhora de sintomas considerados mais incômodos pelos pacientes, como náuseas, sensibilidade à luz e intolerância a ruídos. O alívio ocorreu em 35% das pessoas tratadas com rimazepant, em comparação com 27% dos participantes que receberam placebo.

Os efeitos adversos mais comumente relatados foram náuseas e infecção do trato urinário, ambos classificados como incomuns pelos pesquisadores. Nenhuma reação grave relacionada ao medicamento foi identificada no estudo.

A enxaqueca é um distúrbio neurológico crônico e incapacitante. Além de fortes dores, pode causar náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, cheiro e som. As convulsões duram entre quatro e 72 horas quando não recebem tratamento adequado.

Segundo a Anvisa, algumas pessoas podem sentir um brilho antes do início da dor. Essas condições incluem alterações visuais, sensoriais ou de fala que aparecem minutos antes da crise.

O Rimegepant faz parte de uma classe conhecida como “gepants”, um grupo de novos medicamentos desenvolvidos exclusivamente para enxaquecas. Segundo especialistas, outros medicamentos da mesma classe ainda aguardam aprovação no Brasil.

Antes do registro nacional, os próprios pacientes brasileiros importavam medicamentos com autorização médica.

A Anvisa afirmou que o registro do Nurtec ODT será válido até maio de 2036. A Pfizer ainda não anunciou preço nem data para início da comercialização no país.

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