Daqui a milhares de anos, o que restará da nossa era digital? A vastidão cada vez maior do conhecimento humano não está mais armazenada em bibliotecas, mas em discos rígidos que lutam para durar décadas, e muito menos milênios.
No entanto, informações gravadas em vidro por lasers podem permitir que os dados sejam preservados por mais de 10 mil anos, anunciou a Microsoft em um estudo divulgado na quarta-feira.
Desde 2019, o projeto Silica da Microsoft tenta codificar dados em placas de vidro, numa reminiscência dos primórdios da fotografia, quando os negativos também eram armazenados em vidro.
O sistema utiliza vidro de sílica, um material comum resistente a mudanças de temperatura, umidade e interferência eletromagnética.
Na revista Nature, o braço de pesquisa da Microsoft disse que a Silica foi a primeira tecnologia de armazenamento de vidro comprovadamente confiável para escrever, ler e decodificar dados.
No entanto, especialistas não envolvidos no projeto alertaram que esta nova tecnologia ainda enfrenta inúmeros desafios. Primeiro, bits de dados são transformados em símbolos, que correspondem a pixels tridimensionais chamados voxels.
Um pulso de laser de alta potência grava esses minúsculos voxels em placas quadradas de vidro que têm aproximadamente o tamanho de um CD.
“Os símbolos são escritos camada por camada, de baixo para cima, para preencher toda a espessura do vidro”, explica o estudo.
